Crítica: “Natureza Selvagem”

São inúmeros eventos trágicos que a humanidade atravessou no decorrer de sua história, porém entre tantos horrores, o Holocausto parece atrair com mais frequência discussões de obras áudio visuais.

É provável que isso aconteça por ser um evento mais recente, com menos de cem anos e porque infelizmente ainda convivemos com muitos dos problemas sociais relacionados aos preconceitos, os quais acabaram provocando uma catástrofe da magnitude, que foi a perseguição contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre tantas obras que utilizam o Holocausto como cenário de suas tramas, é difícil encontrar uma que realmente inove nessa temática. No caso do suspense dramático polonês “Natureza Selvagem” (Wilkolak / Werewolf / Survivors), a história esboça a abordagem de uma temática pouco explorada, focando-se em jovens sobreviventes de um campo de concentração lidando com alguns de seus traumas adquiridos durante essa experiência.

Porém, em pouco tempo essa interessante perspectiva é abandonada para dar lugar a um suspense mais corriqueiro, que lembra muito os filmes protagonizados por crianças da década de 1980.

Na trama dirigida e escrita por Adrian Panek, acompanhamos um grupo de oito jovens libertados pelo exército soviético de um campo de concentração, que, por não possuírem mais familiares vivos, são encaminhados a um lar comunitário.

Mas a tutora do local acaba sendo morta por algum animal, e agora as crianças além de lidar com a fome e o frio que o rigoroso inverno do leste europeu traz consigo, ainda precisam enfrentar a ameaça iminente de um grupo de animais raivosos que os espreita do lado de fora de seu abrigo.

A atuação das crianças é convincente, conseguindo intensificar o suspense criado pela situação inusitada em que os personagens se encontram e a fotografia também se mostra bem competente para os cenários simples em que a história é ambientada.

O único problema que realmente incomoda em meio à narrativa é a decisão da direção de abrir mão de explorar com mais profundidade as questões psicológicas dos jovens protagonistas, para dar espaço à atmosfera soturna, que flerta com um clima de terror, porém não entrega uma ameaça satisfatória.

Em uma análise geral, talvez se “Natureza Selvagem” tivesse se focado em de fato explorar o psicológico dos jovens sobreviventes dos campos de concentração, sua construção se mostrasse mais interessante e profunda. Porém, quem gosta de assuntos relacionados à Segunda Guerra Mundial, ainda pode desfrutar de um ponto de vista diferente desse momento tão triste que a humanidade já presenciou.

A produção está disponível no NOW, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft e Apple TV.

por Marcel Melinski – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da A2 Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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