Crítica: “No Coração do Mar”

No Coração do Mar pôster nacional críticaHerman Melville tornou-se um dos maiores escritores estadunidenses quando escreveu o clássico “Moby Dick”. Desde então a obra foi adaptada diversas vezes. A versão mais popular é dirigida pelo premiado John Huston, com Orson Welles – diretor do aclamado “Cidadão Kane” – no elenco.

“No Coração do Mar” (In the Heart of the Sea) não é uma adaptação tradicional do livro de Melville. Ron Howard optou por retratar a conhecida história a partir de uma ótica menos ortodoxa, direcionando o olhar do público aos detalhes do pós-naufrágio do navio. Não se preocupa com o belo ou com o famoso mito do herói, revela e detalha os limites do homem na busca pela sobrevivência de maneira crua e visceral.

A trama é narrada por Nickerson (Tom Holland e Brendan Gleeson), membro mais jovem do Essex e sobrevivente da excursão marítima liderada por George Pollard (Benjamin Walker), herdeiro de um império alcançado através do comércio de óleo de baleias. O primeiro imediato da embarcação é Owen Chase (Chris Hemsworth), baleeiro local que perde o cargo de Capitão para George, ainda que sua experiência fosse claramente superior.

É evidente a atenção de Howard com relação à construção das personagens. Capitão Pollard é um ótimo exemplo de continuidade e evolução. Inicia a trama discursando sobre como o homem é superior a qualquer outra criatura viva, por ser feito à semelhança de Deus e termina tentando impedir que a história que acabara de viver fosse mascarada simplesmente pelo bem dos negócios.

A presença de Melville como personagem observador na trama é outro trunfo do roteirista Charles Leavitt. A construção de sua personalidade revela um jovem e inseguro autor, preocupado com a qualidade de sua escrita e com a recepção de seu trabalho. Tal característica faz alusão às críticas negativas que o autor de Moby Dick realmente recebeu no lançamento de seu livro, em 1851.

Quando digo que “No Coração do Mar” não é uma adaptação da obra clássica, não me refiro somente ao seu distanciamento do óbvio ou escolhas de roteiro. O longa é baseado no livro de Nathaniel Philbrick, um historiador americano que narra em detalhes a tragédia do navio baleeiro Essex, destruído por uma enorme e poderosa baleia branca.

Boa opção para conferir nos cinemas.

por Otávio Santos – especial para A Toupeira

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