Crítica: “O Escândalo”

Um homem que abusa de seu poder e assedia a uma mulher (ou muitas). Este é um assunto que aparece nas páginas da agenda social atual de modo permanente. E esse é o tema de “O Escândalo” (Bombshell), que chega aos cinemas brasileiros com três indicações ao Oscar (Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Atriz, para Charlize Theron e Melhor Atriz Coadjuvante, para Margot Robbie).

Com a advertência inicial e final que “é uma dramatização de fatos” e que apenas alguns nomes de pessoas aparecem modificados, vai-se ocupar do caso de Roger Ailes, diretor da conhecida Fox News, emissora tele-noticiosa estadunidense. O relato se centra nos assédios de Ailes, que também foi consultor para os presidentes Nixon, Reagan e George H. W. Busch e o prefeito novaiorquino R. Giuliani.

Conta com a direção bastante rotineira de Jay Roach (diretor de uma dezena de títulos de comédia prévios), tem como destaque algumas atuações de gente de fama e qualidade: John Lithgow (magnífico como o cínico e libidinoso assediador), Connie Britton (no papel de esposa, breve mais interessante, com sua definida personalidade), e Charlize Theron (em um verdadeiro ‘tour de force’). Também estão a prolífica Nicole Kidman (um pouco menos brilhante que em outras oportunidades) e a bonita, oscilante e algo artificial, Margot Robbie.

Aquela condição de Roach como diretor de comédias se evidencia aqui, com diversos momentos de bom humor que aliviam um drama que poderia ter sido mais tenso.

Resulta interessante mencionar duas cenas entre uma catarata, própria de um filme comercial atual, de mais de uma hora e meia de duração:

– Há um momento em que Theron, Kidman e Robbie se encontram em um elevador da empresa na que trabalham e onde sofreram o assédio de Ailes. Praticamente não falam entre si. A finalidade dessa situação seria evidenciar um problema em comum e diversas maneiras de reagir? Será exatamente essa? Ou apenas mostrar as três atrizes? (a tomada deu lugar também a uma foto utilizada na publicidade da produção).

– Após um encontro que Robbie teve com o Diretor – depois que já tinha sido assediada por ele -, ela sai vestida com roupa branca (para conotar certa inocência?).

Com altos e baixos, nas sequências finais, o filme se consolida e dá lugar a um desfecho bastante satisfatório. Porém, o roteiro de Charles Randolph não é “nada do outro mundo”. Acontece que ao avaliar um filme não se deve confundir a pertinência de sua temática com a efetiva resolução cinematográfica. Ou seja: não é suficiente ter um assunto relevante – seja histórico ou atual – para converter-se automaticamente em uma boa realização. Há filmes ótimos, regulares e péssimos sobre temas valiosos.

Neste caso, estamos ante uma produção apropriada para aqueles que disponham de 109 minutos sem procurar demasiadas pretensões para além de uma abordagem de um tema que hoje é cada vez mais reconhecido.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

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