Crítica: “O menino que fazia rir”

Esta história refere-se a Hape Kerkeling (Julius Weckauf), um menino alemão que ficou famoso por fazer os demais rirem. Ele, depois, também teve muito êxito como ator cômico. Multipremiado na Alemanha, escreveu um livro no qual está baseado este filme. A diretora e co-roteirista Caroline Link tem alguns trabalhos cinematográficos anteriores e, neste caso, parece fazer o impossível para criar uma realização entretida, cômica. Ou, mais precisamente, uma comédia-dramática.

Toda a primeira parte remete à infância do protagonista, principalmente a figura da mãe, Margret Kerkeling (Luise Heyer, de bom trabalho), prevalece no relato. Alegre, cria seu filho, que é um menino extrovertido e, também, alegre.

Não obstante os esforços, ao menos nesta parte inicial, o filme carece de graça, resulta parado, estático e bastante frio. Pode ser que exista um “choque cultural”, que crie uma distância, uma complicação para captar e curtir o humor alemão. Isso porque o humor resulta peculiar de cada país ou região e, às vezes, os estrangeiros resultam estranhos a ele.

Seja como for, O menino que fazia rir” ( não consegue entusiasmar, empolgar nem fazer rir. O menino protagonista só faz rir aos atores da produção, não a nós, espectadores no Brasil. Vale dizer que na Alemanha conseguiu sucesso de público e diversos prêmios.

Esse fato de atrair muitos espectadores também resulta paradoxal: os filmes mais assistidos em diversos países (Argentina, Espanha, Itália, por exemplo) muitas vezes são de escassa ou nula qualidade artística. Este parece ser mais um caso para essa relação. Porém, não resulta totalmente surpreendente, pois estudos acadêmicos já alertam que o vínculo entre qualidade artística em cinema e público de massa é invertido. Há uma relação de rejeição deste público a muitas obras cinematográficas de excelente qualidade.

Na primeira parte do longa, tudo resulta artificial, forçado, em especial as atuações – talvez com a exceção da já mencionada Luise Heyer. Porém, na segunda parte, a obra paulatinamente, se afiança, toma um caráter dramático e a diretora se sente melhor conduzindo um drama, que se adequa mais a um ritmo lento.

A presença da morte (impossível de ser entendida no relato) resulta muito mais densa e corretamente trabalhada que toda aquela primeira metade e até que as considerações óbvias, prolongadas e até superficiais que virão em alguns momentos. A tristeza invade a tela com caráter inevitável e inexorável. De pretensamente alegre, passa a ser reflexivo – o que resulta paradoxal em um título que inicialmente convida à diversão.

 O menino que estava destinado a ser cômico, engraçado, agora chora. E isso pode facilitar, agora sim, a identificação do público. Não há arte de alto nível ou grande elaboração cinematográfica, porém, há um final nostálgico, com emoções de maior peso.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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