Crítica: “O Muro”

“O Muro” (Dustwun) é mais um drama ao qual eu gostaria que todos assistissem. A produção é uma nítida crítica social aos Estados Unidos e alguns de seus problemas comuns, paralelamente conta diferentes histórias e nos aproxima de seus poucos personagens.

A trama começa de maneira tímida nos apresentando Marta (Crystal Hernandez), uma imigrante que sai do México em busca do sonho americano, ilegalmente. A jovem está perdida, sem água e sem rumo vagando pelo deserto.

Marta então é encontrada por Kenny (Shane Dean) um ex-combatente do exército que após diversos traumas sofridos enquanto servia ao seu país se torna um desertor, e vive nesta área de fronteira. Ele acredita que de alguma maneira  ainda deve honrar  aos Estados Unidos e que é o único que pode salvar seu país de um iminente ataque extraterrestre.

Tanto Marta quanto Kenny estão presos em uma região que apesar de ser utilizada como travessia parece isolada do resto do mundo.

O filme caminha devagar e constrói aos poucos a relação entre os protagonistas: a motivação de Marta, que nos é entregue, apesar de válida, não é novidade quando o assunto é imigração ilegal.

Em contrapartida, Kenny apesar de emocionalmente instável e nitidamente alternando momentos de lucidez, questiona a lealdade e quem de fato deve ser considerado o “homem mau”. Afinal, o bom ou o mau depende da perspectiva de quem está contando a história.

O drama dirigido e roteirizado por Genevieve Anderson tem dois patrulheiros em segundo plano, que trazem essa dimensão de que o opressor também já foi o oprimido, e que por vezes a ilusão de poder pode definir caráter.

Tecnicamente falando, o longa não traz muitas inovações: nas cenas iniciais, é como se estivéssemos assistindo a um documentário, mas logo isso mudo e voltamos a ter uma  ideia mais cinematográfica da coisa. A composição de imagens é interessante e riquíssima e brinca com elementos naturais, com a fé e com as emoções.

Em relação às atuações, há uma química inegável entre Crystal e Shane mesmo que eles tenham trabalhado juntos por apenas dez dias, tempo que durou as filmagens.

O mais interessante é que o muro construído pelo “Dustwun”, não passa de um monte lixo que não o protege de nada, e que nunca será concluído, pode ser considerado uma alusão ao muro construído entre México e Estados Unidos com intuito de barrar imigrantes ilegais e que até é ponto de debates mundo afora.

“O Muro” é um ótimo filme, é emocional, é reflexivo, desperta sensações. Um excelente drama. Confira.

Para assistir, o público pode acessar a plataforma pelo NOW ou escolher a sala de exibição preferida em www.cinemavirtual.com.br e realizar a compra do ingresso. O filme fica disponível durante 72 horas para até três dispositivos.

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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