Crítica: “O Noivo da minha Amiga”

Para uma comédia romântica atingir o objetivo de fazer o espectador dar risada tanto quanto suspira com uma boa história de amor, não é preciso muita coisa. Basta seguir o que seria uma espécie de cartilha do gênero, que inclui uma farta dose de clichês que, embora pouco criativos, são essenciais para o êxito da produção.

“O Noivo da minha Amiga” (Hasta que la boda nos separe / The Wedding Unplanner) segue essa indicação à risca e oferece uma narrativa que entrega desde o seu início as intenções que se revelarão no decorrer da trama. E, embora faça dos elementos clássicos sua base mais sólida, ainda consegue inserir a porção necessária de novidade para chegar a um final inusitado.

O longa espanhol dirigido por Dani de La Orden começa mostrando a protagonista Marina ainda na pré-adolescência, fazendo uma promessa ao pai adúltero, de que jamais se envolveria seriamente com nenhum homem. E assim ela faz: já adulta (interpretada por Belén Cuesta), a jovem leva uma vida que transita entre extremos: é uma das sócias de uma agência de organização de casamentos, mas nunca cogitou ter um relacionamento de verdade em sua vida.

Em uma das cerimônias organizadas por ela, situações inesperadas (e divertidas!) acontecem e marcam seu encontro com Carlos (Álex García), um dos convidados, com quem passa momentos bastante íntimos quase de maneira imediata.

Após uma sucessão de fatos que acabam formando uma ligação atípica, Marina e Carlos se reencontram em uma posição bem diferente da que marcou a noite em que se conheceram: agora ele é o noivo que contrata seus serviços de organizadora de casamentos. Detalhe: a noiva milionária Alexia (Silvia Alonso) é uma “amiga” de infância da protagonista e tal fato será fundamental para desencadear o resgate de lembranças pouco agradáveis – e que terão interferência direta no planejamento da cerimônia.

Existe muita franqueza por parte do roteiro ao mostrar como o bullying sofrido na infância / adolescência pode deixar marcas no emocional de alguém. Ainda que seja retratada de maneira cômica, essa vertente da história faz questão de deixar claro que nem sempre é fácil aceitar / esquecer certas coisas que aconteceram no passado.

A comédia é divertidíssima e conta com personagens que, embora beirem o exagero em muitos momentos (ou talvez por isso mesmo), conseguem entreter do início ao fim. São pequenos detalhes visuais e, principalmente textuais, que colaboram para um resultado que não alça voos criativos, mas cumpre o papel exigido pelo gênero da produção.

Dica: Assista aos créditos finais, durante os quais são exibidos erros de gravação que mostram o quanto a equipe parece ter se divertido durante as filmagens.

Vale muito a pena conferir. Já disponível no Cinema Virtual.

por Angela Debellis

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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