Crítica: “O Pássaro Pintado”

Esta é a história de um menino judeu passada na Rússia, na época da Segunda Guerra Mundial. Caso o espectador imagine que será mais um filme sobre a perseguição que os nazistas fizeram às crianças judias, embora não esteja totalmente enganado, vale advertir que só uma parte está destinada a essa questão.

O percurso cinematográfico de “O Pássaro Pintado” (Nabarvené ptáčetraz / The Painted Bird) traz um número muito grande de desgraças que o protagonista deve percorrer. Antecipamos que aqui não se colocará o nome do garoto, pois é melhor assistir à obra para conhecê-lo.

Feito em preto e branco, tem a direção do experiente Václav Marhoul (ganhador de sucessivos prêmios nos últimos anos em festivais de cinema da República Tcheca, seu país). Embora o trabalho de Marhoul não seja ruim, o relato resulta ser um desfile torturante de situações pelas quais o protagonista deve passar.

A maldade humana aparece uma e outra vez, a partir dos mais diversos ângulos, produzida por todo tipo de indivíduos: a bruxa representante da superstição mais aberrante, o cristão impiedoso, o caçador de passarinhos, os nazistas, os próprios militares russos, as mulheres – vítimas, mas também excessivamente libidinosas – , praticamente nada nem ninguém se salva. Nesta coletânea de horrores, após determinado momento, até o próprio menino passa a cometer atos extremamente cruéis.

Apenas uns poucos personagens têm atitudes nobres: um militar nazista, um sacerdote cristão e um familiar. O resto pratica todo tipo de crueldades, contra animais, meninos, mulheres, homens, civis (massacrados na guerra). Os judeus também são vítimas de arrogância, preconceito, perversidade.

Até o clima, com temperaturas que apresentam momentos de neve e frio pronunciado, também não ajuda. A ausência de cores contribui para a atmosfera pesada. E nem as paisagens, apesar de parecerem bonitas, conseguem amenizar os fatos.

A fotografia de Vladimír Smutný tem achados interessantes. E a atuação do menino Peter Kotlár está à altura de uma enorme exigência – o longa-metragem tem quase três horas de duração e o pequeno está presente em todas as cenas. Na extensa lista de atores e atrizes, aparecem nomes conhecidos no ocidente: Harvey Keitel e Julian Sands.

Baseado no romance homônimo de Jerzy Kosinsky, “O Pássaro Pintado” não está destinado a ser uma denúncia de um determinado tipo humano (ou, melhor, desumano) nem de um perfil psicológico específico. É uma sucessão de maldades originadas em diversos setores sociais que só parece ter ocasionais leves respiros. Principalmente, no final.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

 

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