Crítica: “O Peso do Talento”

Ter a autoestima elevada é bom, mas saber rir de si mesmo é ainda melhor (em dias atuais, imprescindível para se viver em sociedade, sem enlouquecer). E é sem nenhum pudor que Nicolas Cage faz isso em “O Peso do Talento” (The Unbearable Weight of Massive Talent).

A comédia dirigida por Tom Gormican (que assina o roteiro junto a Kevin Etten) nos apresenta uma versão fictícia do ator, que enfrenta as dores de não ter a mesma popularidade e sucesso de outrora – o que, na prática, implica no surgimento de dificuldades financeiras, relembradas de maneira bastante incisiva por seu empresário Richard Fink (Neil Patrick Harris).

Com a vida pessoal em ruínas – em uma relação conturbada com a ex-esposa Olivia (Sharon Horgan) e a filha Addy (Lily Mo Sheen), e prestes a anunciar sua aposentadoria, após ser recusado em mais um papel, o astro recebe uma inusitada proposta: viajar à Espanha para participar da festa de aniversário de Javi Gutierrez (Pedro Pascal), um excêntrico fã disposto a pagar o substancial cachê de US$ 1 milhão pela presença vip em sua mansão em Mallorca.

Mas, o que parecia dinheiro fácil, acaba se transformando em uma empreitada bem mais complexa, quando Cage é recrutado por Vivan (Tiffany Haddish), uma agente da CIA que busca por provas para incriminar Javi – por sua atuação no tráfico de armas e pela suposta participação no sequestro da filha do presidente da Catalunha.

Com a narrativa estabelecida, o que se tem é uma das mais inusitadas e divertidas parcerias já vistas em tela. É visível – e hilária – a espontaneidade de Nicolas Cage (o real e o fictício), assim como Pedro Pascal também embarca na proposta e faz de Javi um dos personagens mais bacanas de sua carreira, até aqui.

Há muito a se destacar no filme, que tem como um de seus pontos altos, a inclusão na medida de diversos easter-eggs de trabalhos anteriores de Nicolas Cage – vários deles formando o (levemente assustador, diga-se de passagem) santuário que Javi possui, com itens que vão de uma réplica em tamanho natural a uma almofada com paetês formando o rosto de seu ídolo.

E, se a dupla central do longa é um de seus maiores acertos, o que dizer dos momentos em que Cage interage com sua versão mais jovem, Nicky (cujo visual e atitudes que ultrapassam, e muito, o limite do exagero –  fazem alusão direta a uma famosa entrevista dada por ele em 1990, durante a promoção de “Coração Selvagem”)? Icônico é pouco.

Durante 108 minutos, “O Peso do Talento” oferece diversão de qualidade ao público, através da excelência de seu texto – que, embora simples, consegue provocar boas risadas, mesmo após o término da produção.

Imperdível.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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