Crítica: “O Primeiro Homem”

Quarenta e nove anos se passaram desde a – por muitos, ainda inacreditável – chegada do homem à Lua. Tal acontecimento já foi tema de inúmeras produções dos mais variados gêneros e é provável, que ao ler esse texto, você imediatamente vá se lembrar da icônica frase: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”. E mesmo depois de tanto tempo, ao ver a cena em “O Primeiro Homem” (First Man), eu chorei.

Sob a direção de Damien Chazelle, o longa chega com ares de forte candidato na próxima temporada de premiações. Visualmente impecável, é daqueles títulos quase obrigatórios de serem vistos no cinema, em uma sala de qualidade, para que a experiência seja completa e bem aproveitada.

A trama baseada no livro homônimo de James R. Hansen mostra a trajetória de Neil Armstrong (Ryan Gosling muito bem no papel), que culminou na sua participação na missão Apollo 11, cujo destino era nosso simpático satélite natural. O grande diferencial – e um dos muitos acertos do filme – é apresentar não somente o lado “engenheiro / astronauta”, mas também o “homem de família / bom amigo” do protagonista, transformando a narrativa em algo bem mais complexo do que “apenas” mais uma produção de cunho científico e/ou documental.

Seguindo essa linha, somos apresentados a Janet (Claire Foy em ótima interpretação), esposa de Neil, com quem tem três filhos. Os efeitos colaterais e posterior falecimento da filhinha do casal – ainda muito jovem, devido a um tumor – é uma das passagens mais tristes do longa. Ao ter que conviver com a morte rondando a família – uma vez que as obrigações de um astronauta o colocam em risco intermitente, Janete torna-se o pilar da casa, mantendo-se forte e com voz ativa, mesmo em momentos de maior tensão e isso faz dela uma figura muito valorosa.

Quanto à parte que envolve o trabalho de Neil, vemos toda a evolução nos planos da NASA para superar a Rússia na chamada corrida espacial. Antes de abraçar o êxito dessa missão, muitas outras aconteceram, muitas vidas foram ceifadas de maneira injusta, para que se alcançasse o sonho não só de pisar, mas de coletar pessoalmente material lunar para análise.

Como já era de se esperar, todas as sequências que envolvem o espaço são de encher os olhos. Se por um lado, a música clássica continua se encaixando com perfeição a esse tema, por outro, o silêncio arrebatador que nos faz lembrar o quão frágeis somos diante da imensidão do universo é um elemento imprescindível para dar ainda mais profundidade às cenas.

As cores das imagens que surgem em tela, assim como todo um primoroso trabalho de cenografia e figurino, imediatamente nos remetem às décadas de 1960 e 1970, e transformam o evento de assistir ao filme em uma espécie de viagem no tempo. Tudo isso aliado ao fato da opção do diretor por filmar vários momentos em close ou de uma forma menos ampla (entenda-se até mesmo claustrofóbica), acabam fazendo com que o espectador sinta-se no centro da ação, como se vivesse ele também a história.

Com tantos pontos positivos, até mesmo a longa duração de 142 minutos flui de maneira tão competente, que quando sobem os créditos finais o sentimento de satisfação por ter visto um trabalho tão bom surge de maneira natural e torna “O Primeiro Homem” imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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