Crítica: “O Quarto de Jack”

O-Quarto-de-Jack-primeiro-pôster crítica“O Quarto de Jack” (Room) é um filme essencialmente triste. Ainda mais se pararmos para pensar que a obra na qual se baseia, escrita por Emma Donnoghue, é sustentada por histórias reais envolvendo um dos lados mais obscuros da raça humana – aquele capaz de cometer atrocidades como estupros e sequestros.

Joy – que na maior parte da produção é chamada apenas por “Ma” (Brie Larson) – é uma jovem mãe que está confinada em um minúsculo galpão de 10 metros quadrados com seu filho Jack (Jacob Tremblay), fruto de relações forçadas com o homem que a sequestrou há sete anos.

Nesse cenário, Ma constrói um mundo próprio, no qual ela e Jack conseguem viver em harmonia com o que os cerca. Tudo acaba tendo um valor imenso para eles – sejam cascas de ovos para montar uma cobra de brinquedo ou a energia elétrica que impedirá que morram de frio no local.

É fácil se deixar envolver pela saga da dupla e, quando o garotinho completa cinco anos e finalmente descobre que há muito mais do que pode imaginar “lá fora”, passamos a torcer por seu êxito em conquistar novos e desconhecidos horizontes (mesmo que isso implique em ter que enfrentar algo que nem se imaginava existir: o mundo além do “quarto”).

O diretor Lenny Abrahamson soube explorar de maneira arrebatadora o que se passa nos corações dos protagonistas. Joy e a retomada de uma vida interrompida tão abruptamente por um homem que a condenou a anos de clausura e a uma gravidez indesejada. Jack e as infinitas possibilidades de ampliar seu tão restrito mundo, ao ganhar uma família maior – representada pelos avós maternos – e ter que deixar para trás o local que o havia acolhido desde seu nascimento.

Com uma interpretação impecável, Brie Larson – que já ganhou diversos prêmios por este trabalho – desponta como grande favorita ao Oscar de Melhor Atriz na cerimônia que acontece no dia 28 de fevereiro. Já Jacob Tremblay pode ser uma nova e bastante promissora aposta, uma vez que consegue encontrar o equilíbrio exato para que, mais do que simplesmente pena, o público passe a sentir um grande carinho por Jack.

Prepare o seu coração e reserve alguns momentos para uma franca – e necessária – reflexão após sair da sala de cinema.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema Tags: , , , , ,

You might like:

Crítica: “Pequeno Segredo” Crítica: “Pequeno Segredo”
“Pequeno Segredo” é indicado para representar o Brasil na corrida ao Oscar “Pequeno Segredo” é indicado para representar o Brasil na corrida ao Oscar
Max Prime estreia nova série original de drama “Quarry” Max Prime estreia nova série original de drama “Quarry”
“Mate-me por favor” ganha pôster oficial e trailer “Mate-me por favor” ganha pôster oficial e trailer
© 2019 AToupeira. All rights reserved. XHTML / CSS Valid.
Proudly designed by Theme Junkie.