Crítica: “O Segredo do Lago”

Com uma narrativa afiada que conduz o espectador a uma situação claustrofóbica, “O Segredo do Lago” (The Winter Lake) consegue criar uma ambientação de suspense e mistério nos apresentando uma trama intrigante e personagens perturbadores na medida certa.

Na história acompanhamos Tom (Anson Boon), um adolescente traumatizado com sérias dificuldades em se relacionar socialmente e sua mãe Elaine (Charlie Murphy), que após fugir de um relacionamento abusivo, acaba se mudando para uma cidade no interior da Irlanda com o filho. Próximo aonde a família mora, existe um lago no qual Tom descobre os restos mortais do que parece ser um bebê humano.

O mistério que envolve essa criança acaba conduzindo aos vizinhos de Tom – o fazendeiro Ward (Michael McElhatton) e sua filha adolescente Holly (interpretada magistralmente por Emma Mackey) – que de início tentam se integrar e manter um bom relacionamento com os novos moradores, porém quanto mais perto da verdade sobre os restos mortais Tom se aproxima, mais perigosa fica a relação entre sua família e seus misteriosos vizinhos.

Apesar de cadenciada, a narrativa consegue manter o espectador curioso em relação ao mistério apresentado, porém o grande mérito que podemos destacar desse longa é a sensação de paranoia que toda essa situação consegue transmitir, mesmo quando conhecemos o background dos personagem em tela.

É difícil saber se estão de fato falando a verdade ou simplesmente inventando histórias para se livrar de possíveis consequências. Até mesmo o protagonista provoca essa desconfiança, afinal desde o primeiro momento ele é apresentado como uma pessoa introspectiva e perturbada, e essa impressão se amplia gradativamente conforme vamos conhecendo mais profundamente sua história.

A ambientação do filme é quase totalmente focada em locais isolados e com poucas pessoas, esse elemento é extremamente assertivo para a criação de um sentimento de abandono, que torna as cenas de tensão ainda mais impactantes, afinal a sensação que temos nesses momentos é que ninguém virá para salvar os personagens que estamos acompanhando.

A trilha sonora não tem grande destaque em “O Segredo do Lago”, geralmente cumprindo a função de ambientar determinadas situações. Nesse caso em especial, esse fato não pode ser considerado um demérito, afinal, o silêncio consegue contar a história proposta pelo roteiro de maneira satisfatória, tornando cada momento sem trilha uma ameaça em potencial.

Vale a pena conhecer essa obra que está disponível no Cinema Virtual, principalmente pelos fãs mais afoitos por um entretenimento voltado ao suspense que além de qualidade em seu mistério, ainda consegue se mostrar relevante ao abordar questões familiares delicadas que muitos cineastas prefeririam evitar.

por Marcel Melinski – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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