Crítica: “O Sequestro”

A extensão do amor que uma mãe é capaz de sentir por seu filho não é das coisas mais fáceis de serem mensuradas. Mas é bem clara a noção de que uma mulher torna-se capaz de feitos improváveis em situações corriqueiras, caso seu descendente esteja em perigo.

É com essa temática à primeira vista simples, que trabalha o roteiro de “O Sequestro” (Kidnap), novo trabalho de Halle Berry, que tem o espanhol Luis Pietro à frente da direção.

A atriz – que também é produtora executiva do longa – dá vida à Karla, uma garçonete divorciada, cuja rotina inclui a ingrata tarefa de encontrar tempo para conciliar seu lado profissional (e imprescindível para seu sustento) com as obrigações da maternidade.

O que tinha tudo para ser apenas um passeio no parque com seu filho Frankie (Sage Correa) torna-se o cenário de um pesadelo, quando, após um rápido descuido, o garotinho é sequestrado por um casal, que consegue atrai-lo com a desculpa de que sua mãe o esperava em seu carro – mesmo depois de um momento de sensatez da criança que afirma não dever conversar com estranhos.

Ao ver o menino ser colocado à força no carro dos criminosos, a protagonista dá início a uma perseguição digna de filmes de ação, mas talvez sem a qualidade exigida para convencer o público. O quadro inclui um inexplicável excesso na repetição de cenas como o mostrador de velocidade do carro com o ponteiro subindo e uma reserva de combustível que demora muito mais do que deveria para acabar.

Halle, que aparece sozinha em tela na quase totalidade da trama, basicamente leva o filme nas costas, com uma atuação que oscila entre o convincente e o exagero. Com um texto básico (que inclui a repetição da expressão “Meu Deus” algumas dezenas de vezes), a impressão que se tem é que a ideia geral pode até ser boa, mas o desenvolvimento deixa a desejar – se bem que vale destacar que os momentos finais têm partes surpreendentes.

Sem contar que, por mais que por mais sublime e poderosa que a maternidade seja para alguns, é difícil acreditar que tenha de fato a capacidade de transformar mulheres comuns em heroínas que trajam roupas civis. E em vários momentos, é essa imprudente coragem (ou falta de bom senso) que direciona as ações da personagem.

O destaque positivo vai para a sequência inicial composta por aquele tipo de fotos / vídeos caseiros que parece “padrão” na maioria das famílias e serve para mostrar o crescimento da criança. A locução carregada de sentimento da própria Halle deve conquistar a simpatia de boa parte dos espectadores.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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