Crítica: “Os Caras Malvados”

Provavelmente, você já ouviu a expressão “Não se deve julgar um livro pela capa”. Assim como é ainda mais presumível que tenha feito exatamente o contrário do pregado pela frase, em algum momento da vida.

Em 2015, o autor Aaron Blabey lançou aquele que seria o primeiro de uma série de livros cujos protagonistas não são o que se pode chamar de amigáveis (pelo menos não à primeira vista), afinal, ao pensarmos em um Lobo, um Tubarão, uma Cobra e uma Piranha, coisas desfavoráveis podem surgir em nossas mentes. Mas, estamos realmente certos?

Baseado nos best-sellers originais, os personagens saem das páginas e adentram as salas de cinema, na nova animação da DreamWorks, “Os Caras Malvados” (The Bad Guys), que faz uma aposta certeira e entrega um dos títulos de ação mais fascinantes dos últimos tempos.

Na trama dirigida por Pierre Perifel, conhecemos um grupo de amigos pouco usual formado por figuras de índole, no mínimo, questionável, que pratica crimes variados – de assaltos a bancos a roubos de obras de arte, na cidade comandada pela Governadora Diane Raposina (voz de Zazie Beetz / Agatha Moreira).

São eles: o charmoso batedor de carteiras Sr. Lobo (voz de Sam Rockell / Romulo Estrela), o divertido mestre dos disfarces Sr. Tubarão (voz de Craig Robinson / Babu Santana), o enigmático arrombador de cofres Sr. Cobra (voz de Mark Maron / Sérgio Guizé), o espevitado e bom de briga Sr. Piranha (voz de Anthony Ramos / Luis Lobianco) e a genial hacker Srta. Tarântula (voz de Awkwafina / Nyvi Estephan).

Quando uma de suas ações não sai como o esperado e eles são, enfim, capturados pela Chefe de Polícia Misty Luggins (Alex Borstein / Isabela Quadros), surge a inesperada oportunidade de provar que, por trás das aparências e ações problemáticas pode haver muito mais camadas a se explorar.

É o que acha a celebridade benemérita do ano, Professor Marmelada (Richard Ayoade / Sérgio Stern), que não hesita em tentar convencer a população local (que tem humanos e animais vivendo em sociedade, sem causar nenhum estranhamento) a dar uma segunda chance para que os vilões provem que, mais do que malvados, podem ser caras legais.

Essa é a deixa para que o público acompanhe a história roteirizada por Etan Cohen, Yoni Brenner e Hilary Winston, que agrega à narrativa (com óbvia lição de moral), os principais e melhores elementos de um bom filme de ação com temática de assaltos, incluindo perseguições de carro de tirar o fôlego, intrincadas invasões e planos com reviravoltas que transformam até o previsível em algo empolgante de se assistir. Com direito, é claro, a vários easter eggs e referências bem bacanas.

Ao som de “Bad Guy” de Billie Eilish, tudo funciona em “Os Caras Malvados”, sendo o maior destaque, o visual da animação que mescla diferentes técnicas – que vão do traço mais simples e cartunesco, ao mais elaborado – cuja proposta para as telas faz uma belíssima homenagem aos desenhos originais dos livros de Aaron Blabey, através de uma adaptação cativante e que merece ser o capítulo inicial de uma bem-sucedida franquia.

Corra para os cinemas.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.

Filed in: Cinema

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