Crítica: “Os Invisíveis”

Segundo o ensaísta e filosofo George Santayana “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.” – frase erroneamente atribuída a Edmund Burke. Vemos atualmente uma ascensão de uma ideologia responsável por um dos maiores genocídios do Século XX.

Essa ideologia levaria à declaração, em 1943, de que Berlim, a capital do nazismo na época, estava livre da presença de judeus. Porém 7000 deles ainda habitavam a cidade de maneira ilegal, através de documentos falsos, alterações na aparência, ou escondidos em sótãos e porões. Desses 7000, infelizmente sua maioria não veria o fim da guerra em Berlim, sendo deportados ou mortos, restando na cidade apenas por volta de 1700.

“Os Invisíveis” (Die Unsichtbaren) é a história de quatro jovens judeus durante esse período: CIoma Schönhaus (Max Mauff), um jovem artista gráfico, que sobrevive graças às suas habilidades para falsificar passes, passaportes e demais documentos que usa para ajudar a judeus sobreviverem e fugirem de Berlim; Hanni Levy (Alice Dwyer), perdeu ambos os pais devido às leis anti-semitas, mas consegue se evadir tingindo constantemente o cabelo de loiro, e graças à ajuda de uma vendedora de bilhetes de cinema.

Ruth Arndt (Ruby O. Fee) durante os últimos anos do conflito passou-se por viúva de guerra, e por fim encontrando trabalho como servente na casa de um oficial da Wehrmacht; Eugen Friede (Aaron Altaras) é um jovem judeu cuja mãe se salvou por se casar com um alemão, mas tem que se manter constantemente na fuga, e acaba se envolvendo até mesmo com um grupo de resistência ao nazismo composto por uma família alemã que o abriga. As histórias desses jovens jamais se cruzam diretamente, com elementos, e até mesmo conhecidos comuns emergindo entre as histórias.

O filme é uma mistura entre drama e documentário. A alternância entre reconstruções das cenas vividas e depoimentos dos protagonistas, é uma mostra disso. Porém, a qualidade é diferente da norma em documentários que assim se pretendem, e a parte dramática é muito bem construída.

Em primeiro lugar, isso se dá pela habilidade do diretor Claus Räfle, e dos roteiristas, um deles o próprio diretor e Alejandra Lopez, de adaptar muito bem o material obtido em entrevista para cena. A escolha dos momentos em que são colocados os depoimentos filmados, ou apenas como narrações, ou se transformados em pensamentos dos interlocutores quando jovens, e narrados pelos atores em tela, é muito bem-feita.

O segundo fator é a habilidade dos atores. O longa é bem atuado, e os protagonistas passam o drama vivido pelos quatro jovens judeus na época. Além disso, o elenco de apoio também contém bons profissionais e isso ajuda na construção da situação.

Na parte técnica a produção é atrativa também. A trilha é bela, encaixa com o drama em tela, e faz boas referências à música judaica, particularmente o uso do clarinete para se referir à música klezmer. A parte visual e o uso das cores são atraentes. Além disso, a introdução de cenas filmadas durante a década de 1940 em Berlim ajuda a contextualizar a audiência.

Se existe algum problema, no entanto, pode ser o fator do filme ser um documentário em sua essência, e isso para alguns pode quebrar seu fluxo narrativo. Não obstante, o fato de tratar de quatro histórias diferentes, pode tornar o roteiro um tanto confuso para alguns espectadores. Nenhuma falha grave, porém.

“Os Invisíveis” é um filme interessante para quem quer conhecer mais sobre os sinistros anos do mando nazista na Alemanha, e seu reflexo no cotidiano de um dos grupos que esse regime oprimiu. Por ser bem construída a parte dramática, agradará quem não gosta de documentários, e para quem gosta, é uma escolha obrigatória. Um título necessário nesses tempos de ascensão do neonazismo no mundo, para que não nos esqueçamos de um passado, na qual a ideologia foi predominante em certos lugares.

por Ícaro Marques – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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