Crítica: “Pânico”

Na minha (longa) trajetória de cinéfila, já tive inúmeros momentos marcantes – para o bem ou para o mal. Entre eles, a lembrança do que senti durante a sessão de “Pânico”, no distante ano de 1996, e como ainda hoje a sentença “Hello, Sidney. Do you like scary movies?” ainda me vem à cabeça de vez em quando ao ouvir o telefone tocar.

Sidney Prescott (Neve Campbell) entrou para minha galeria de personagens favoritos, assim como, para mim, a sequência inicial protagonizada por Drew Barrymore segue entre as mais eficientes do gênero terror.

Com três produções subsequentes (sendo o mais atual lançado em 2011), a franquia imaginada pelo genial cineasta Wes Craven – também responsável pela criação de outro personagem impactante na indústria cinematográfica, Freddy Krueger – parecia encerrada. Mas, parece que os habitantes da cidade fictícia de Woodsboro ainda têm (boas) histórias para contar.

Sob a corajosa decisão de utilizar o título do longa original, sem o acréscimo de um numeral que indicasse ser uma continuação da saga, “Pânico” (Scream) traz sangue novo – literalmente – às telas, mas tem como maior trunfo o retorno do trio protagonista já conhecido do público: Sidney (Neve Campbell sempre confortável – se é que isso é possível – no papel da final girl), Gale Weathers (Courteney Cox, com plena consciência da importância de sua personagem) e Dewey Riley (com David Arquette em destaque em vários momentos chave).

Na trama, anos depois dos últimos assassinatos cometidos por Ghostface, a jovem Tara Carpenter (Jenna Ortega) é atacada por alguém trajando o mesmo figurino / máscara do temido serial killer, mas embora muito ferida, consegue sobreviver. Na ânsia de descobrir o responsável por tal brutalidade, sua irmã mais velha, Samantha (Melissa Barrera) retoma o contato com a garota, após anos, mas tal reaproximação pode representar um risco ainda pior a todos que as cercam.

Assim como fez magistralmente a obra que completou 25 anos de lançamento em dezembro passado e deixou sua marca no gênero de terror slasher, este novo capítulo da franquia – definido como uma “sequência homenagem” – confunde o público durante os 115 minutos de sua duração. Quando julgamos saber “com certeza” quem se esconde sob a icônica máscara, algo acontece para quebrar nossas convicções – o que é maravilhoso.

O roteiro de James Vanderbilt e Guy Busick também surpreende positivamente ao rir de si mesmo (e de todo caminho pavimentado pelos filmes anteriores) e colocar os personagens debatendo sobre o que poderia ser mal recebido por aqueles que procuram por problemas / falhas em tudo.

Primeiro título da franquia que não conta com Wes Craven (falecido em 2015) na direção – cargo agora ocupado pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett – repleto de detalhes (sempre mais bem aproveitados pelos fãs prévios) e com uma perfeita mescla de novos e conhecidos elementos, “Pânico” consegue o grande feito de ser muito melhor do que o esperado.

Início de ano muito promissor para que gosta de terror. Corra para os cinemas.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.

Filed in: Cinema

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