Crítica: “Planeta dos Macacos: A Guerra”

Em passagem recente pelo Brasil, o ator / diretor Andy Serkis afirmou ter ouvido declarações de espectadores sobre “Planeta dos Macacos: A Guerra” (War for the Planet of the Apes) ser um filme ‘difícil’ de ser assistir, e ele realmente é.

Não que isso seja um defeito, pelo contrário. Dirigido por Matt Reeves, o longa envolve a plateia de tal maneira, que o sentimento passado na tela torna-se quase palpável (e este, na maior parte do tempo, pende para a tristeza / indignação). A jornada de César encontra seu ápice neste, que é o terceiro capítulo da franquia iniciada em 2011.

Os eventos se passam logo após os vistos em “Planeta dos Macacos: O Confronto” e confirmam que não houve nenhum tipo de acordo de paz entre espécies. Os humanos, inconformados com o quadro avassalador provocado pela febre símia, seguem em busca de dizimar os macacos da face da Terra, não importa o custo moral desse ato.

À frente de seus respectivos grupos, estão César – o líder que agora está ainda mais evoluído, formulando frases inteiras e caminhando ereto a maior parte do tempo -, e o temível Coronel (Woody Harrelson, em atuação brilhante), cujas histórias pessoais o levam a lutar de maneira cega contra qualquer um que se mostre contrário a seus ideais.

Ocupando as áreas de cinza que impedem que o roteiro caia no erro de se mostrar inflexível, surge uma nova esperança na forma de uma garotinha humana, resgatada por César e alguns de seus companheiros de batalha. Nova (interpretada de maneira surpreendente por Amiah Miller) pode ser a prova de que é possível equilibrar-se entre os dois lados sem que isso seja um problema. Destaque também para as referências, um presente para os fãs dos filmes originais.

Se o longa é essencialmente triste e contemplativo, há de se salientar a capacidade de fazer a plateia rir em alguns momentos, mérito do novato “Macaco Mau” (Steve Zahn), uma das adições mais bacanas da franquia. Da explicação para seu nome à inusitada opção por usar roupas, tudo funciona para o personagem.

A qualidade visual da produção é tamanha, que a ideia de haver macacos racionais, capazes de se comunicar verbalmente ou através de linguagem de sinais de maneira clara, em nenhum momento parece improvável. A atuação do elenco por trás das roupas de captação de movimentos é o alicerce para tornar impecável cada elemento em cena.

César é o pai, o líder, o centro das expectativas. É quem sofre as consequências por ser diferente em um mundo que mal tolera os semelhantes. É quem faz o público chorar e, acima de tudo, refletir sobre a real definição de racionalidade. É quem mereceu aplausos dos jornalistas ao término da sessão para imprensa e quem torna a experiência desse filme, algo a ser aproveitado no cinema, com toda certeza.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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