Crítica: “Quatro Vidas de um Cachorro”

Há uma frase amplamente difundida entre os que procuram zelar pelo bem-estar dos animais, cuja autoria me é desconhecida: “Amar os animais é privilégio de poucos. Respeitá-los é dever de todos”. E é esse amor tão especial e único que conduz a comovente trama de “Quatro Vidas de um Cachorro” (A Dog’s Purpose).

O longa baseado na obra homônima de W. Bruce Cameron e dirigido por Lasse Hallström nos apresenta o carismático Bailey (voz de Josh Gad, no original), cãozinho que passa pelas mais diferentes situações ao reencarnar várias vezes. Mas, se sua história muda a cada retorno, uma coisa permanece a mesma: a necessidade inerente de saber qual o seu propósito nesse mundo.

A partir da cena inicial, do primeiro acorde musical, é fácil se apaixonar pelo protagonista peludo. Sua primeira vida como um pequeno vira-lata é mostrada de maneira bastante rápida e bem menos chocante do que no livro (o que me pareceu uma saída muito louvável, já que foi justamente nessa parte que eu cheguei a cogitar parar a leitura).

Ao voltar como um Retriever Vermelho, o acaso o faz encontrar seu primeiro tutor, Ethan, (Bryce Gheisar / K. J. Apa), com quem firma um laço de companheirismo e amizade que vai transcender seu período de vida. É ao lado do garoto que Bailey começará a entender a real importância de sua existência e o quão necessária é sua presença.

Assim como na obra original, essa é sua passagem mais explorada na tela e a que mais leva o público a uma montanha-russa de emoções, em que é possível, com a mesma facilidade, sorrir com as trapalhadas do filhote (atenção à cena da moeda) ou se emocionar com a beleza de sua cumplicidade com Ethan.

As próximas vidas são as mais distintas possíveis, e ele volta como Ellie, uma imponente fêmea de Pastor-Alemão treinada para trabalhar ao lado do policial Carlos (John Ortiz). A rotina cheia de regras em nada se compara à sua vivência anterior, mas cumpre a missão de acrescentar sabedoria ao cãozinho que continua se lembrando de suas encarnações passadas.

Ao reencarnar como Tino, um pequenino macho da raça Corgi, sua tutora é Maya (Kirby Howell-Baptiste), uma jovem de grande coração que vê sua vida solitária encher-se de novidades e alegrias com a ajuda de seu companheiro canino.

Bailey ainda retorna sob a forma de um São Bernardo, que passa quase a totalidade de seus dias preso a uma corrente mínima em um quintal imundo. Seu discurso tocante dá o tom a uma das sequências mais comoventes da produção e deve acertar em cheio quem já soube de algum caso de negligência do gênero.

E, mais uma vez, o acaso vai levá-lo a Ethan (em sua fase adulta, interpretado por Dennis Quaid), depois de décadas. Destaque para a delicadeza com que é possível perceber a passagem dos anos. São pequenos detalhes como roupas ou trechos de músicas, que nos situam na época em que a ação ocorre.

Quem já conhece o livro vai perceber grandes e inúmeras mudanças (inclusive a clara opção por um final que condiz com apenas uma parte do último capítulo), mas o resultado é tão lindo, tão cheio de sentimento, que consegue manter a essência do apresentado no papel.

Um filme para encher de amor os corações e de lágrimas os olhos de quem sabe o quanto é privilegiado por ter a oportunidade de construir histórias ao lado de animais.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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