Crítica: “Quem você pensa que sou”

Nada é mais atual do que falar de relações platônicas e amores virtuais. Conforme o mundo avança, mais os seres humanos sentem a necessidade de se ligar afetivamente a alguém. Acontece que estamos sempre beirando a linha que separa a intimidade real daquela que oferecemos gratuitamente nas redes sociais.

“Quem você pensa que sou” (Celle que Vous Croyez), dirigido por Safy Nebbou, conta a vida de Claire Millaud (Juliette Binoche), uma professora universitária que decide criar um perfil falso no Facebook para tentar chamar atenção de Ludo (Guillaume Gouix), um rapaz com quem tem relações sem compromisso.

Na rede social ela se passa por Clara, uma jovem que trabalha com moda e que está no auge de seus 24 anos. A primeira pessoa a interagir com seu perfil é Alex (François Civil), melhor amigo e colega de quarto de Ludo. Eles então passam a conversar todos os dias, e a partir daí surge uma paixão que é nutrida por ambos, mesmo que não exista contato físico. Neste emaranhado de sentimentos e mentiras, desfechos inesperados podem surgir.

Temos duas questões muito importantes que valem a pena ser ressaltadas: o filme retrata Claire como uma mulher divorciada que está desesperada pela atenção do sexo oposto – durante toda a história, ela participa de sessões de terapia para tentar encontrar respostas de perguntas das quais a própria busca fugir.

Em momento algum ela aceita que não possui amor próprio, e nem admite que não se sente completa com a vida que tem. É como se tudo o que ela vivesse através de ligações e mensagens no computador se passando por outra pessoa, fosse muito mais emocionante do que o que se passa aqui fora.

A segunda questão aborda a dependência virtual, e enfatiza as paixões platônicas que as pessoas criam a partir de expectativas que podem ou não se realizar. Todos conhecem os perigos das redes, nós sabemos que muitas vezes as pessoas não são confiáveis e mesmo assim nos deixamos ser envolvidos por falsas amizades ou amores, que no fundo não passam de uma dose de êxtase para o ego.

Vale conferir.

por Victória Profirio – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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