Crítica: “Rei Arthur: A Lenda da Espada”

Uma boa história, por mais que seja contada inúmeras vezes, não perde sua real capacidade de encantar quem a ouve / lê / assiste. Assim acontece com a aclamada lenda de Rei Arthur / Cavaleiros da Távola Redonda / Excalibur.

Em mais uma adaptação da história para o cinema, “Rei Arthur: A Lenda da Espada” (King Arthur: Legend of the Sword) chega com uma proposta diferente e até mesmo arriscada: trazer movimento e velocidade a um gênero conhecido pela, por assim dizer, ‘morosidade’ de grande parte de suas cenas (excluindo, obviamente, as que envolvem grandes batalhas). Saem as sequências que primam pelo lento recurso de exibir detalhes, entra a câmera rápida, que por vezes dá ares de ‘videogame’ à produção.

Com Guy Ritchie à frente da direção, isso já era esperado, e surpreendentemente funciona de maneira eficaz. Foi muito bom assistir a um filme com temática medieval, mas que tem essa pegada mais veloz. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, não há espaço para que o espectador sinta-se entediado e os 126 minutos de duração passam sem qualquer esforço.

Na trama, Charlie Hunnam (que esteve no Brasil para divulgação do lançamento) interpreta o protagonista Arthur. Com a morte de seus pais Uther e Igraine (Eric Bana e Poppy Delevingne, respectivamente) quando ainda era criança e a ascensão de seu tio Vortigern (Jude Law) declarado como novo rei, o garoto consegue fugir, é criado por prostitutas de um bordel local e leva uma vida bem menos abastada do que aquela que lhe seria de direito.

O jovem cresce aprendendo técnicas de luta e, além de habilidade no combate corpo a corpo, passa a ter grande capacidade em dominar a empunhadura de espadas – o que, a curto prazo vai se mostrar um grande negócio para a manutenção de sua vida. Também forma um grupo de fiéis amigos que mostrarão seu valor no momento certo.

Sua rotina muda radicalmente a partir da convocação de todos os rapazes com idade próxima a que teria o filho desaparecido do antigo rei, a fim de que se comprove a veracidade de uma profecia que afirma que apenas ele poderia tirar a espada Excalibur de uma pedra na qual encontra-se cravada há anos. O resultado, conhecido por boa parte dos espectadores, continua sendo um dos grandes momentos do filme.

Mantendo a essência da história original, o longa consegue inserir bem-vindas novidades. Há de se destacar o tom sarcástico e despojado de Arthur, assim como as sequências em que elementos de ordem fantástica / mágica são exibidos – o que já acontece de forma imponente na primeira cena e ganha ainda mais importância depois que a personagem Maga (Astrid Bergès-Frisbey) – discípula de Merlin – surge.

Vale conferir!

por Angela Debellis

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