Crítica: “Samy e Eu”

Há uma famosa (mas não se sabe o quão verídica) frase que afirma que “A vida começa aos 40”. Esta, talvez, seja a única saída para Samuel “Samy” Goldstein (Ricardo Darín), que prestes a completar as tais quatro décadas de existência, parece ainda não ter encontrado seu propósito.

O protagonista da comédia argentina “Samy e Eu” (Samy y Yo) é o mal aproveitado roteirista de um programa de televisão que, embora de caráter cômico, está longe de conseguir fazer os espectadores rirem.

Se a princípio pode parecer que a culpa é do texto de Samy, essa impressão se desfaz com a inesperada entrada de Mary (Angie Cepeda) na trama. A jovem colombiana – cheia de energia e ideias – é responsável pela guinada em sua vida, ao provar que, na verdade, o roteiro era mal utilizado pelo apresentador sem carisma – e com pouca vontade para se empenhar na interpretação necessária para dar graça ao texto.

Ao assumir uma posição em frente às câmeras em um programa próprio, Samy torna-se uma espécie de celebridade nacional, que (embora não entenda como) diverte o público apenas por trazer às telas coisas simples de seu cotidiano como a instável relação com sua mãe (interpretada por Henny Trayles), o relacionamento – com mais baixos do que altos – que tem com sua namorada Esther (Alejandra Flechner), sua hiponcondria e a frustração por não conseguir levar adiante o projeto de escrever um romance literário.

Dirigido por Eduardo Milewicz (que também escreve o roteiro junto a Carmen López-Areal), o longa de 2002, que permanecia inédito no Brasil, agora chega ao Petra Belas Artes À La Carte, dentro do “Super Lançamentos”, e consegue entregar um resultado naturalmente divertido. Ao contar com um protagonista “comum”, “Samy e Eu” nos aproxima do personagem, faz com que, ao mesmo tempo em que rimos de seus infortúnios, também torçamos por seu êxito.

A interpretação de Ricardo Darín é genial, o ator convence como uma figura que transita entre o sarcasmo e a indignação. Os momentos em que fala sobre suas “frágeis” condições de saúde física e mental – sempre de maneira exagerada – são hilárias e devem divertir o público sem dificuldade.

A produção só perde um pouco de seu vigor nos momentos finais, justamente com a conclusão da história, mas nada que possa tirar seu brilho. E como sua duração é relativamente curta (85 minutos) a satisfação com o que foi visto, no geral, permanece.

Vale conferir!

por Angela Debellis

*Título assistido via streaming, a convite da Sinny Assessoria e Comunicação.

Filed in: BD, DVD, Digital

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