Crítica: “Shazam!”

Adaptações de quadrinhos se tornaram quase onipresentes nos cinemas. Sejam ícones veteranos das HQ’s ou personagens de menos visibilidade entre aqueles que não acompanham com frequências as publicações das revistas, parece que, felizmente, há lugar e público para todos.

A mais recente surpresa positiva atende pelo nome de “Shazam!” e sob a direção de David F. Sandberg leva às telonas a história do jovem Billy Batson (Asher Angel, perfeito no papel) que aos 14 anos – ou como ele mesmo diz, “quase 15” – não tem uma vida muito fácil. Após perder-se em um parque de diversões quando ainda era um garotinho, ele foi encaminhado a diversos lares adotivos, mas nunca se habituou a nenhum deles, por carregar o contínuo desejo de reencontrar sua mãe.

O que ele não esperava é que sua vida seria virada de cabeça para baixo graças a seu coração puro e bom caráter. Em um momento surreal – para dizer o mínimo -, ele é conduzido a uma espécie de caverna secreta, na qual a magia paira no ar. Nela, vive um antigo mago (bem interpretado por Djimon Hounsou), detentor de um poder inimaginável, que necessita passar adiante seus conhecimentos e qualidades, mas apenas a alguém que de fato os mereça – coisa que parece bem difícil de encontrar, já que ele faz essa busca há décadas, sem sucesso.

Ao proferir o nome do mago, Shazam, Billy adquire a característica mais marcante de várias figuras da mitologia grega: a sabedoria de Salomão, a força física de Hércules, a resistência de Atlas, os poderes mágicos de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. A junção de tantas maravilhas o transforma no Campeão da Humanidade (sim, todo esse momento tem as típicas entonação e narrativa cativantes dos quadrinhos!).

O herói surge sob a forma física do ator Zachary Levi, que se mostra completamente à vontade no papel e entrega um trabalho tão divertido quanto eficiente. O que transforma o personagem em alguém tão próximo do público é um fato bem simples: a transformação se dá apenas no exterior, a personalidade de Billy continua a mesma, ou que significa que veremos um poderoso homem adulto e cheio de músculos ter as mesmas inseguranças e preferências alimentares de um adolescente comum.

O protagonista conta com um time de peso para dar ainda mais importância à trama, incluindo seus novos irmãos adotivos que serão fundamentais em uma das cenas mais marcantes da produção (e que, durante a cabine de imprensa, fez vários fãs da DC suspirarem alto!). Entre eles, destaca-se Freddy Freeman (papel do ótimo Jack Dylan Grazer), que compensa sua deficiência física com um grau de animação e curiosidade excepcionais, graças ao seu vasto conhecimento de paladinos dos quadrinhos.

E como todo herói que se preze costuma atrair um vilão à altura, eis que temos Mark Strong em caracterização perfeita do inescrupuloso Dr. Thaddeus Sivana (Dr. Silvana, na versão brasileira), que já entrou em combate com Shazam em sua primeira aparição nas HQ’s, datada de fevereiro de 1940, na revista Whiz Comics #2.

O filme é incrível e consegue ganhar a plateia desde o começo. É fácil identificar-se com os personagens e torcer pelo êxito do bem contra o mal. As piadas são certeiras e ácidas na medida certa, transformando a produção em uma opção que entretém aqueles que só vão conhecer o herói agora, assim como também faz jus à admiração dos fãs prévios.

Vale dizer que há duas cenas adicionais: a primeira indica a possibilidade de uma sequência futura (estamos na torcida!) e a segunda faz um inteligente gracejo com outro nome de peso da DC.

Apenas diga a palavra mágica: Imperdível!.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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