Crítica: “Starfish: Uma História de Amor Incondicional”

O casal Ray desfruta de uma vida perfeita, que entra em colapso quando Tom (Tom Rilley) desenvolve sepse, uma doença potencialmente fatal, desencadeada por uma infecção na corrente sanguínea.

Em questão de dias, a doença força a amputação dos braços e pernas de Tom, e deixa seu rosto parcialmente desfigurado. Agora, Nicola (Joanne Froggatt), precisa reajustar sua vida, para poder cuidar das necessidades de seus filhos e de seu marido.

“Starfish: Uma História de Amor Incondicional” (STarfish), dirigido por Bill Clark, conta uma história real, vivida por um casal inglês, durante a década de 1990. Tom Ray quase morreu em uma enfermaria hospitalar com suspeita de intoxicação alimentar. Seu diagnóstico de sepse aconteceu horas após sua internação, quando a doença já havia avançado por grande parte de seu corpo.

Embora o tema central do longa seja sobre o diagnóstico do protagonista, os fatos acabam desencadeando assuntos como a responsabilidade afetiva, abandono parental e uma breve discussão, sobre o descaso com pacientes que, de certa forma, tiveram sua vidas anuladas  por falhas em sistemas médicos e governamentais.

Uma das principais críticas retratadas na produção que está disponível no Cinema Virtual, gira em torno do tipo de comportamento, ou caráter, que uma pessoa forma ao ser negligenciada por uma figura familiar. Ao tornar-se adulto, Tom Ray decidiu que seria para seus filhos, a representação paterna que nunca teve durante sua infância.

Embora pareça um assunto desconexo do restante da história, tudo começa a fazer sentido quando o protagonista retorna para casa, após meses hospitalizado por conta da sepse. Adaptar-se a sua nova rotina, e principalmente a si mesmo, foi um trabalho árduo, e as mudanças físicas, consequentemente impactaram as mudanças internas.

Tom não se sente mais útil, não se enxerga como marido, e tampouco como pai, e o fato de não poder voltar a ser o que era para seus filhos, o torna descrente dele próprio como ser humano. Aos poucos, ele se entrega a uma angústia, que resulta em egoísmo e amargura, cuja única solução é enfrentar suas próprias limitações.

O longa consegue retratar fatos dolorosos de forma muito sensível e comovente. Essa é, sem dúvida, uma produção necessária para refletir sobre uma série de questões que deveriam ser debatidas de forma mais abrangente em nossa sociedade.

por Victória Profirio – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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