Crítica: “Tomb Raider – A Origem”

O grande mal que aparentemente todo título que se baseia em games sofre é o fato de ser muito difícil encontrar seu lugar nos cinemas. Se optar por cenas com características de jogo, pode não agradar o público que não conhece a plataforma; se, por outro lado, prezar por sequências mais realistas (com cara de filme padrão), corre o risco de cair em desgraça com quem espera por uma apresentação fiel da narrativa vista nos consoles e /ou computadores.

Dito isto, não é de se estranhar que “Tomb Raider: A Origem” (Tomb Raider) vá encontrar-se nessa mesma – e desnecessária – situação, por melhor que seja a intenção de levar de volta às telonas, uma das personagens mais carismáticas dos games.

No longa dirigido por Roar Uthaug, sai a sensual Lara Croft interpretada por Angelina Jolie em 2001 e 2003, entra a mais contida versão agora vivida por Alicia Vikander. Tal mudança drástica no campo visual se deve às alterações propostas nos jogos originais da personagem, que antes era apresentada com trajes e constituição bem diferentes das vistas agora (os lançamentos mais recentes, e que já carregam essas novidades, são de 2013 e 2015).

Apesar de conhecer Lara (cortesia de um marido fã desde seu surgimento em jogos em cd-rom), confesso nunca ter jogado nenhuma de suas aventuras – mesmo achando muito interessante o fato de ter uma arqueóloga à frente da dinâmica. Mas, se não sou uma gamer dedicada, ainda assim consegui reconhecer os momentos que beberam nessa fonte e que, em minha opinião, são a parte mais bacana da produção.

Como manda um bom filme quando ganha o subtítulo “A Origem” (ainda que não seja assim no original), a narrativa nos apresenta a protagonista de maneira bem didática, como uma jovem de 21 anos, herdeira de imensa fortuna, mas que por questões pessoais (inverossímeis na prática, mas válidas em matéria de emoção) prefere trabalhar como entregadora de um restaurante para ter como pagar suas próprias contas.

A ação começa de fato quando ela tem acesso a uma mensagem deixada por seu pai – desaparecido há sete anos – que supostamente pode levá-la à descoberta de seu paradeiro. À sua espera, uma inesperada viagem a uma ilha isolada próxima a Hong Kong, local que contém grandes segredos que, em mãos erradas podem significar o fim da humanidade.

Alicia Vikander, que à primeira vista não me convenceu como melhor escolha para o papel, consegue surpreender. O que lhe falta em compleição física, acaba compensado pela grande capacidade de raciocínio da personagem para desvendar enigmas. Além disso, por ter uma estatura menor, ela parece ter muito mais agilidade seja nas corridas ou saltos – tão característicos dos jogos.

O vilão da vez é Mathias Vogel (Walton Goggins), que segue a cartilha para esse tipo, mas cuja participação deixa a desejar. Por outro lado, o pai da protagonista, Lorde Richard Croft (Dominic West), consegue a proximidade do público, que entende sua motivação e percebe tudo que lhe custou em vida, as decisões tomadas quando Lara ainda era apenas uma adolescente.

Destaque para a cena passada em uma cachoeira, envolvendo a carcaça de um avião e para os desafios enfrentados dentro da tumba da lendária / temida Rainha Himiko, claramente pensados para agradar tanto quem já conhece esses artifícios dos jogos quanto quem espera apenas por cenas de ação satisfatórias.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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