Crítica: “Três Anúncios para um Crime”

O amor incondicional de uma mãe e a busca incansável por justiça. Esses são os elementos em torno dos quais gira a trama do indicado em sete categorias do Oscar, “Três Anúncios para um Crime” (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), que poderia ser apenas mais um entre tantos filmes sobre um caso não solucionado pela polícia, mas é bem mais do que isso.

Na história, a jovem Angela Hayes (Kathryn Newton) foi assassinada de maneira brutal e, após sete meses sem nenhuma resposta às investigações sobre o caso, sua mãe Mildred Hayes (Francis McDormand) toma uma decisão drástica e inusitada: locar o espaço de três outdoors à beira de uma estrada pouco utilizada, mas ainda viável, para se chegar à Ebbing – cidade em que vive, no estado do Missouri -, nos quais questiona de maneira clara e contundente os motivos do assassinato não ter sido solucionado.

A atitude, obviamente, gera polêmica entre os habitantes, assim como atrai a atenção do xerife local Bill Willoughby (Woody Harrelson) e de um dos policiais que trabalha em sua delegacia, Jason Dixon (Sam Rockwell). Entre a indignação pela exposição pública de seu trabalho falho e o apreço pelas funções de “homens da lei”, eles serão colocados à prova, por uma mãe cuja força emocional pode ser muito maior do que eles poderiam imaginar.

Desde o início da narrativa, é fácil simpatizar com Mildred e sua causa. E, se a personagem é impactante, por suas ações – algumas até mesmo inconsequentes, mas de alguma forma justificadas -, boa parte da empatia criada com o público se deve ao primoroso desempenho de Francis McDormand. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, ela tem saído vencedora em diversas ocasiões, nessa época em que ocorrem as maiores premiações da indústria cinematográfica, e dá ao público uma das interpretações mais eficientes dos últimos tempos.

Há momentos em que choramos com ela e nos pegamos até mesmo surpresos por sua capacidade de seguir em frente, apesar da vida marcada pelos maus tratos do ex-marido e pela dor da perda repentina e inaceitável de sua filha mais nova. Em outros, sorrimos com cada pequenino triunfo, como se torcêssemos por uma pessoa conhecida, uma amiga próxima.

Também indicados ao Oscar, ambos na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem de seus personagens aqueles por quem é possível nutrir um misto de sentimentos no decorrer do filme. Se inicialmente nos parece que houve apenas negligência por parte do xerife, que não encontrou nenhuma pista que pudesse levar ao assassino, depois percebemos que há mais camadas do que imaginamos nessa história. E o policial que demonstra ser apenas mais um embriagado pelo poder que um distintivo pode denotar, também acaba surpreendendo em dado momento da projeção.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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