Crítica: “Um Segredo em Paris”

“Um Segredo em Paris” (Droles D’Oiseaux) é um relato bastante cuidadoso na sua linguagem cinematográfica, porém sem grande voo criativo. É uma breve história romântica, de Mavie, uma mulher do interior da França que vai morar em Paris, onde se vincula com o amor.

A relação das empresas que realizaram o longa (que na maioria dos casos aparece no final da exibição e aqui surge no início) informa em seus próprios nomes que se trata de uma produção “independente” e “alternativa”. E também a duração de 70 minutos nos prepara nesta linha: algo sucinto e simples. Porém, ao assisti-lo pode-se apreciar um trabalho de fotografia excelente, feito por Rento Berta, em modo muito cuidadoso e com belas imagens.

Também a montagem, de Thomas Glasier, está muito bem construída. Isso dá um ritmo que no início é lento, mas depois deriva em certa solidez narrativa. Além disso, está Jean Sorel, de 84 anos de idade, com um extenso currículo (participou em 86 títulos).

Este ator oferece um muito interessante papel, sóbrio, em geral contido. Interpreta Georges, um homem solitário, excêntrico, algo tosco, colérico, irritável – e até imprevisível – e endinheirado. Inclusive, definido no próprio filme com algumas destas características.

Mavie, a mencionada protagonista (encarnada sem exageros por Lolita Chammah) é uma mulher ocasionalmente também solitária que chega à cidade onde conhece a personagem interpretada por Sorel. Aos poucos, o tom romântico vai se apropriando do filme. Os pequenos gestos vão se acomodando no decurso: os frequentes olhares dela, os prolongados silêncios dele; a forma discreta dela se arrumar – porém inconfundivelmente o cabelo da maneira como o pode fazer uma mulher quando se vai apaixonando -, o compartilhar juntos passeios pela cidade, alguns cafés, as paisagens da cidade, tudo isso vai criando um clima romântico.

Mas acontece que ele tem um passado conflitivo, no âmbito político e talvez até no delitivo. Além disso, o vínculo se vai tornando frágil. Não há relações sexuais, e ciúmes e inveja se apropriarão do homem, acentuando-se a diferença de idade entre eles como fator dissociador.

Assim, aparecerá em forma inevitável a separação e, depois, outro homem.  Este último, sem que seja dito de maneira direta, porém em modo mais ou menos deduzível, poderia ser outro rebelde mais moderno que o anterior e ocultar mais sua índole. De qualquer modo, é mais atualizado e sexual que o primeiro.

Tudo isso nos remete ao título original francês: “Droles D’Oiseaux”. Algo assim como “pássaros adoráveis”. Só que a expressão também pode significar “pássaros de cuidado”.

Nesta sutil ambiguidade, sem empolgações, quase modestamente, mas sem grandes alturas, a diretora Élise Girard entrega um filme de teor aceitável, que poderá ser desfrutado principalmente por um público amadurecido, vinculado ao intimista.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

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