Crítica: “Uma Dobra no Tempo”

Houve uma época muito boa de se viver, em que para se divertir, as crianças faziam delicadas dobraduras em papel e acreditavam que as respostas a qualquer pergunta estavam escondidas em cada cantinho ilustrado por aquela que tivesse mais habilidade artística (ou por quem fosse proprietário das canetinhas hidrográficas de melhor qualidade).

Talvez seja com esse olhar simples e com o coração que crê em um tipo de magia palpável, que cabe nas palma da mão, que o público deva optar por assistir a “Uma Dobra no Tempo” (A Wrinkle in Time), novo longa da Disney que parece ensaiar uma “volta às raízes” ao apresentar uma história que transita entre a trivial simplicidade e o fantástico que beira o exagero.

Na trama, somos apresentados a Meg (Storm Reid), uma garota que vê sua rotina familiar mudar de modo radical com o inexplicável desaparecimento de seu pai, o cientista Alex Murry (Chris Pine), após a suposta descoberta de como realizar viagens pelo espaço, usando a mente.

Através de atitudes defensivas – tidas como rebeldia adolescente por muitos -, ela acaba de alguma maneira se blindando do bullying (sempre ele) praticado por “colegas” de escola, que não têm o menor pudor em tripudiar sobre a história de sua família, o que faz com que a garota acredite, cada vez mais, na possibilidade de ter sido abandonada propositalmente pelo pai.

A seu lado, um pequeno defensor: o irmão mais novo Charles Wallace (Deric McCabe), que ainda carrega consigo simplicidade semelhante àquela de outra época citada no início do texto. O que fará com que seja possível uma espécie de conexão mágica com o Universo, que se mostrará disposto a ajudá-los em uma tão improvável quanto ansiada busca.

Para guiá-los em sua missão, surgem três entidades conhecidas por “As Senhoras”: A que coordena o trio e suas ações, Srª Qual (Oprah Winfrey); a que usa frases de terceiros para se expressar – mas que ainda assim consegue aconselhar nas entrelinhas -, Srª Quem (Mindy Kaling); e a mais falante e agitada, que nutre uma clara simpatia pelo garotinho, Srª Quequeé (Reese Whiterspoon).

Nesse ponto do filme, se o espectador ainda não embarcou na ideia, dificilmente o fará quando a tal viagem interdimensional começar. Porque como já seria de se esperar, há muitas coisas exageradas (como a aparição de uma espécie de vidente, interpretado por Zach Galifianaks), cujas explicações não parecem ser possíveis através de um frio raciocínio lógico. É necessário deixar o cinismo e o amargor de lado, para entender a grandeza das ações de Meg, Charles Wallace e Calvin (Levi Miller) – um dos poucos que valem a pena na turma de estudantes / vizinhança dos irmãos.

O “vilão”, denominado como “Aquilo”, não tem rosto ou forma. E ao mesmo tempo, tem todos os rostos e todas as formas que nos assustam e machucam todos os dias. Há sua participação em cada atitude desdenhosa que temos para com o nosso próximo, em cada oportunidade que deixamos passar, em cada sorriso que deixamos dar, apenas porque estamos ocupados demais em viver uma vida comum, numa sociedade que cada vez se importa menos com o indivíduo.

Se buscarmos o significado da palavra fantasia, inexoravelmente o encontraremos atrelado à imaginação. E é apenas através dessa união que será possível enxergar a importância da mensagem que sustenta o roteiro – de certa forma confuso à primeira vista. Ao levar às telas a história escrita por Madeleine L’Engle em 1963, a diretora Ava Duvernay assumiu o risco de não atingir o público com a mesma excelência alcançada pela autora da obra original.

E, ao assumir esse risco, ela deu oportunidade para que mais pessoas possam abrir seus corações e conhecer a história da jovem Meg e sua visual e emocionalmente fantástica jornada para reencontrar seu pai. Que bom que ela fez isso.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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