Crítica: “Uma Mulher contra um País”

Baseado no livro “A Longa Jornada de Poppie Nongena”, “Uma Mulher contra um País” (Poppie Nongena), conta a história de Poppie Nongena, uma mulher negra que tem que lidar com as dificuldades de viver sob o Apartheid da África do Sul na década de 1970. O livro, escrito por Elsa Joubert, baseado no relato de uma mulher sul africana, já havia sido transformado em uma peça teatral e foi transposto para o cinema pelo diretor Christiaan Olwagen.

A história se passa sete dias antes do Natal, e mostra a vida difícil de Poppie (Clementine Mosimane), uma empregada doméstica que trabalha em um bairro branco na Cidade do Cabo. Apesar de tudo, ela tem uma vida estável, em um momento em que muitas mulheres africanas foram forçadas a deixar suas casas e irem para regiões designadas pelo governo como “pátrias” negras.

Poppie dorme no emprego e encontra os filhos apenas nos fins de semana, mas quando seu marido, Stone (Chris Gxlaba), fica doente e precisa sair do emprego, ela passa a ser considerada uma residente ilegal, tem seu “passe” para viver na cidade negado, e apenas cinco dias para sair da cidade. Tendo que sair da cidade em que cresceu e foi criada, é tratada pelo governo como uma “imigrante no próprio país”.

Vemos então Poppie tentando de todas as formas encontrar uma solução para não ser deportada da própria cidade. No longa podemos ver o quão racistas e absurdas eram as leis e as regras impostas à parte negra da população. Ao decorrer de sua luta para poder permanecer na cidade, as revoltas se intensificam e ela tem que lidar, mesmo contra vontade, com as questões políticas invadindo cada vez mais sua casa e a vida de sua família.

A atuação de Clementine Mosimane como Poppie é arrebatadora, e emociona ao retratar uma mulher que não quer desistir de lutar para manter a família unida no lugar onde cresceram, mas enfrenta cada vez mais obstáculos no caminho.

O filme mostra bem a diferença descomunal entre a parte “branca” da cidade, e a parte relegada à população negra, e também o choque de geração entre Poppie e seu filho, entre uma geração que foi terrivelmente oprimida pelo Apartheid e uma mais nova que não se conforma e busca mudar completamente o mundo desigual em que vivem.

A fotografia clara, com espaços amplos do trabalho de Poppie, que contrasta com as cenas fechadas e sensação de claustrofobia da outra parte da cidade, evidenciam ainda mais a diferença entre as partes. Os cenários, inclusive, são muito bem feitos, principalmente no bairro da família da protagonista.

Era difícil para um cidadão comum, como Poppie, compreender e lidar, por um lado com a opressão sistemática do Estado, e por outro com as revoltas, cada vez maiores e impactantes, dos mais jovens. Podemos sentir a escalada de eventos que levaram aos protestos duramente reprimidos de 1976, refletida não só nos eventos que ocorrem à volta da personagem e sua família, mas também em sua jornada pessoal, em que tem que refletir sobre colonização, migração e questões religiosas.

Uma obra que definitivamente não é leve – e nem se propõe a isso – mas que ajuda a compreender melhor o Apartheid sul africano por um ponto de vista pouco convencional

Disponível na plataforma de streaming Cinema Virtual, “Uma Mulher contra um País” foi indicado em vários festivais de cinema e recebeu inúmeros prêmios, como o de Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Atriz para Clementine Mosimane.

por Isabella Mendes – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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