Crítica: “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”

Um dos gêneros mais aclamados do cinema, a ficção científica parece fadada a trilhar um caminha cada vez mais complicado, por uma simples razão: a imaginação das pessoas está nitidamente perdendo a batalha para o cinismo do cotidiano.

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” (Valerian and the City of Thousand Planets) chega com a proposta de levar os espectadores em uma viagem de 138 minutos (sim, a duração é extensa), na qual, em termos visuais quase tudo é possível. E esse é o ponto de acerto do novo trabalho do diretor Luc Besson.

O filme é baseado na graphic novel francesa “Valérian et Laureline”, lançada em 1967, e que foi uma das inspirações para uma das maiores franquias da história do cinema, Star Wars. Em comum, a possibilidade de se apresentar personagens, mundos e situações diferentes do que se vê na vida real e com isso, amplificar a importância da imaginação para se encontrar sucesso nesse tipo de entretenimento.

A sequência inicial – uma das melhores da produção – mostra que no século 28 a raça humana terá evoluído muito em termos de relacionamento com seres diferentes, algo muito pregado por outra famosa e longeva franquia, Star Trek. Ao som de “Space Oddity”, um dos clássicos de David Bowie, o que vemos é a ponta do iceberg dos efeitos especiais que serão exibidos.

Assim como nas HQ’s, os protagonistas são Major Valerian (Dane DeHaan) e Sargento Laureline (Cara DeLevingne). Usando a boa e velha temática de uma dupla formada por indivíduos com pensamentos / ações quase que completamente opostos, mas que se completam, os agentes espaciais mostram afinidade ao trabalhar por um bem comum: a manutenção da ordem nos territórios humanos existentes em sua época.

Boa parte da ação se passa na tal ‘Cidade dos Mil Planetas’ do título. Alpha é uma metrópole que abriga os mais diversos tipos de vida, com o intuito de tornar cada vez mais ampla a troca de conhecimentos entre espécies. Lá existe ‘o mercado’, um imenso local de compra e venda que pode ser acessado através do uso de um capacete de realidade virtual. As cenas passadas nele também são de encher os olhos, e, segundo Luc Besson, em passagem recente pelo Brasil, levaram muito tempo para serem feitas por causa da riqueza de minúcias visuais.

Ao cumprir a missão para a qual foram designados, Valerian e Laureline vão descobrir que nem tudo é o que parece à primeira vista e terão que tomar importantes decisões a fim de se fazer a verdadeira justiça – ainda que isso leve a situações limite na maior parte do tempo.

Se a história parece simples – o que nem de longe pode ser considerada uma falha -, o ponto forte do longa é mesmo seu visual. Seja a grandiosidade dos cenários ou o brilho na pele de determinada raça, tudo ganha importância ainda maior quando visto em uma tela grande, por isso vale assistir em IMAX. O recurso do 3D não chega a impressionar tanto, usado mais para ampliar a qualidade das imagens do que para impulsioná-las em direção ao público.

Quanto aos alienígenas, há diversos interessantes, mas os Pearls são os que mais se destacam, tanto pela beleza das cenas em que aparecem em seu planeta, uma espécie de paraíso, quanto pela importância que ganham no decorrer da trama. Também vale dizer que a participação de Rihanna, no papel de Bubble, é surpreendente.

Ponha sua imaginação na ativa e vá conferir no cinema.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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