Crítica: “Vingança a Sangue-Frio”

O filme inicia com uma citação de Oscar Wilde: “Alguns causam felicidade aonde quer que vão; outros, sempre que se vão”. A frase, como tantas outras deste famoso literato irlandês, é muito interessante.

Porém, depois de assistir ao longa, fica a impressão que pode ser aplicado a um enorme número de títulos. Não fica tão evidente como vincula-la a este. Mas, embora seja o primeiro, não é este o elemento central nem do próprio “Vingança a Sangue-Frio” (Cold Pursuit), nem desta crítica.

Uma informação prévia é que Hans Petter Moland, no ano de 2014, dirigiu  “Kraftidioten” (algo assim com ‘Força Idiota’, traduzido como “O Cidadão do Ano”) com base em um romance titulado ‘In Order of Disappearence’. Portanto, este que chega agora aos cinemas, é uma refilmagem feita pelo próprio diretor norueguês. O título do livro é utilizado nesta versão fílmica em forma bastante original nos créditos finais.

Falando nisso, um costume que praticamente nenhum espectador – incluindo os críticos – cultiva, é ficar até o final da exibição. Muitas vezes se perdem informações interessantes e até imagens. Para não falar em ficar desfrutando, pensando, ou revivendo momentos do que foi visto. É decisão de cada um, claro, e ditada em geral pela extrema ansiedade de nossa época. Para não falar em cultura cinematográfica.

Com os antecedentes mencionados, chama a atenção que “Vingança a Sangue Frio” seja extremamente movimentado, bem ao típico estilo dos Estados Unidos. Porque significa que Moland se adaptou a essa estética. Incluso porque além da sucessão de assassinatos que apresenta, não há muito mais que pedir. Não oferece reflexões ou margens para elas. Não se encontra muito mais que dinamismo envolvente.

Claro que é um grande mérito saber contar uma história, apresentar algumas relações e sentimentos. Porque para muitos, esse saber narrar é essencial em cinema. Mas, para outros, embora seja uma caraterística importante, deveria existir algo mais aprofundado. Este filme nem se preocupa por tal dimensão.

Consegue seus objetivos pela boa atuação de Liam Neeson e o resto dos atores e, sobre tudo, pela montagem (Nicolaj Monberg). O resto dos itens técnicos acompanha com competência: a fotografia (Philip /Ogaard); a música (George Fenton), o som (o experimentado James Boyle e equipe) e diversos departamentos para efeitos especiais e visuais.

A história é de um trabalhador especializado, Nels Coxman (Liam Neeson), que limpa as estradas próximas a um pequeno e muito bonito povoado turístico onde mora, conduzindo uma máquina que recolhe e joga para os lados a neve que se acumula lá. Por tão difícil tarefa, é reconhecido na cidadezinha como “o cidadão do ano”. De todas maneiras, tudo parece ser bastante monótono.

Coxman é casado e tem um filho jovem. Um dia esse rapaz é assassinado de forma violenta, em circunstâncias desconhecidas. Todo muda na vida desse casal. Ele inicia uma investigação para conhecer quem foram os criminosos e vingar-se.

O longa entra, assim, em uma sucessão de mortes violentas, com uma lógica precisa. O protagonista vai progredindo em sua pesquisa e, não sem sobressaltos, vai se aproximar ao alvo principal: o chefão de uma gangue de traficantes de drogas.

Nesse percurso de mortes são poucas as pausas, e é provável que o espectador, fique se perguntando de que maneira vai continuar o regueiro de sangue. Aparecem mais personagens, alguns prescindíveis, e o roteiro oscila entre um tom totalmente dramático e outro até cômico (porém, incluindo humor macabro).

O mencionado chefão, Trevor “Viking” Calcote (Tom Bateman, que entrega um bom trabalho), resulta em um indivíduo cruel, curiosamente também vegano. É claro que é nesse provável último degrau da história que se vai definir a vida do protagonista e seu antagonista e o final resulta atrativo.

“Vingança a Sangue Frio” é indicado para aquele espectador que vai ao cinema para assistir a um filme muito bem contado, dinâmico, com trama bastante simples, sem complicações, e que não procure reflexões profundas. Para esse perfil de público pode ser uma boa opção.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

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