David Duchovny estreia na literatura com fábula espirituosa e irreverente em “Holy Cow”

Holy Cow capaDavid Duchovny é um rosto conhecido por seus papeis em séries de TV dramáticas, especialmente como o agente Fox Mulder do clássico “Arquivo X”, e por obras mais recentes como “Californication” e “Aquarius”. Mas, em sua estreia na literatura, os fãs vão descobrir seu lado cômico.  Em “Holy Cow – Uma Fábula Animal”, Duchovny narra uma inusitada jornada empreendida por três animais cheia de referências pop, muito sarcasmo e com uma boa dose de tolerância e defesa pelos direitos dos bichos.

A narradora da trama é Elsie Bovary, uma vaca que passou a vida toda muito feliz morando numa fazenda. Ela não entende muito bem por que sua mãe sumiu repentinamente, mas passa seus dias comendo, dormindo e fofocando com a amiga Mallory. As coisas mudam no dia em que ela se aproxima da casa dos humanos e vê algo inesperado: a família toda reunida em volta de um “Deus Caixa” luminoso que fala (e exibe imagens horríveis) sobre uma terrível fazenda industrial.

Desesperada, Elsie decide que a melhor decisão é fugir dali. E acaba ganhando dois companheiros de viagem: Jerry, um porco que se converteu ao judaísmo e acaba de mudar seu nome para Shalom; e Tom, um peru que dá conselhos psiquiátricos, consegue usar o celular e sonha em conhecer a Turquia. Juntos, eles viverão muitas aventuras pelo mundo. Com uma narrativa muito espirituosa – que inclui diálogos com sua editora e sugestões para a versão cinematográfica do livro –, Elsie conquista os leitores rapidamente com seu carisma.

Trechos:

“O Deus Caixa estava falando com as pessoas. Dava para saber por causa do silêncio obediente delas e da luz tremulante. Se vocês, pessoas, acham que as ovelhas são silenciosas, deviam dar uma olhada em si mesmas quando estão rezando para o Deus Caixa – todas passivas e babando. Então tive certeza de que poderia espiar pela janela, porque os humanos estavam hipnotizados, tipo em transe, como na noite dos mortos-vivos. Assistiam a algo chamado Discovery Channel. Sei disso porque saíram daquele estupor por um instante, por tempo suficiente para brigar pelos “canais”. Foi então que me dei conta de que o Deus Caixa não é um deus apenas, mas muitos deuses em uma caixa só, e, com uma varinha mágica de plástico, os humanos podem trocar de um deus para o outro.”

“Olha, eu não gosto de julgar animal nenhum, e conheci alguns ratos lá na fazenda que eram gente boa, inteligentes, esforçados, empreendedores – a família era muito importante para eles, uma espécie consistente. Mas os ratos daqui eram estranhos, e a única conclusão a que consegui chegar foi que viver numa cidade grande e sem contato com a natureza tem seu preço, pode levar você à loucura. Porque esses ratos da cidade eram verdadeiros lunáticos. Ratazanas da pior qualidade.”

*David Duchovny é ator, roteirista, produtor, diretor, escritor, compositor e cantor. Ganhou o Globo de Ouro pelos papeis de Fox Mulder em “Arquivo X” e Hank Moody em “Californication”. Depois de 14 anos, volta a encarnar o agente Mulder na minitemporada de seis episódios de “Arquivo X” que estreia nos EUA em 24 de janeiro. Também é bacharel em Literatura Inglesa pela Universidade de Princeton e mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Yale.

Ficha Técnica:

Título: Holy Cow – Uma Fábula Animal

Autor: David Duchovny

Páginas: 208

Preço: R$ 35

Tradução: Renata Pettengill

Editora: Record

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