Direto da Toca: Clássico Musical “A Noviça Rebelde” repete sucesso e encanta o público

Dez anos após a estreia da primeira adaptação brasileira, o musical “A Noviça Rebelde” retorna aos palcos do Teatro Renault, agora com produção do Atelier da Cultura e adaptação da gabaritada dupla no ramo, Charles Möeller e Cláudio Botelho. O musical da década de 1960 possui umas das mais bem sucedidas adaptações de musicais para o cinema, que foi eternizada pela maravilhosa interpretação de Julie Andrews, após o sucesso na Broadway.

Nessa versão, o papel da ousada noviça fica a cargo da jovem, mas já experiente nos palcos, Malu Rodrigues, atriz que na versão anterior interpretava a personagem Louisa. Com um show de interpretação, a protagonista jovem cativa a plateia desde a primeira entrada com a icônica canção “O som da música”. Sua linda voz traz nova energia ao papel valorizando ainda mais a força feminina de Maria.

Já o charmoso e instigante personagem Capitão Von Trapp dessa vez ficou com o galã global Gabriel Braga Nunes, inexperiente no teatro musical. O fato de ser iniciante torna-se perceptível em cena, mesmo com o esforço nítido do ator, faltou a energia que a atuação do musical pede. Apesar do fato, nos surpreende no final com seu desempenho no solo da clássica canção “Edelweiss”, considerada um hino austríaco.

O destaque na atuação vai para o elenco juvenil: são 21 jovens atores que se alternam nos papéis dos sete filhos da Família Von Trapp. No grupo muito bem preparado e sincronizado, escolhido a dedo dentre mais de dois mil jovens, destacam-se pelo talento vocal com tão pouca idade, especialmente as três meninas que interpretam as irmãs Brigitta, Marta e Gretl.

Na atual produção o papel de Liesl, a filha mais velha do capitão, é interpretado pela famosa atriz e cantora teen Larissa Manoela, que na primeira versão do musical no Brasil dava vida à caçula da família. Afinada, demonstra seu amadurecimento e bagagem artística que conquistou desde os cinco anos de idade agora no auge de sua carreira. Ao lado de Diego Montez, ator já conhecido nos musicais, que interpreta o carteiro Rolf, protagoniza a cena mais romântica do musical com a interpretação da música “Dezesseis ou Dezessete” apresentando muita química no palco como casal e arrancando suspiros do público.

Crédito: Reprodução

Ainda no elenco principal, outro destaque vai para o ator comediante e global Marcelo Serrado no papel do Tio Max, que em todas as entradas garante boas risadas vindas da plateia com seu egocentrismo e mania de grandeza, com ares cômicos. O ator deu graça e leveza ao personagem conseguindo fazer o contraponto entre a resistência da guerra, convenções sociais e o amor.

Importante ressaltar, que são os detalhes que fazem a diferença nesta produção. Em relação à parte musical, a orquestra faz um trabalho primoroso na condução dos atores e cantores, com especial atenção ao coro das freiras do convento, no qual Maria é noviça antes de se aventurar como governanta da Família Von Trapp.

As melhores interpretações vão para as clássicas canções “Dó-ré- mi” e “So long Farewell” já conhecidas dos grandes fãs dos musicais. Todas as músicas são muito bem interpretadas, no entanto as coreografias nessa versão deixam um pouco a desejar.

O mais interessante desse musical é que a trama começa com um clima leve e romântico e termina pesado com uma mensagem forte de resistência a guerra e manutenção de princípios, responsável por deixá-lo ainda mais fascinante. As entradas dos atores que interpretam os nazistas no meio da plateia criam o clima de guerra instigando e mantendo a atenção dos espectadores.

A produção bem fiel à adaptação Hollywoodiana, com investimento de R$ 10 milhões tem uma troca de cenários que são um espetáculo a parte: com o uso de tecnologia as mudanças de cenas são ágeis e apesar de simples, os efeitos de luz nos remetem a pinturas aquarela e cumprem muito bem o papel de ilustrar os cenários principais da trama como a montanha austríaca, o convento e a mansão dos Von Trapp. Mais um sucesso para elevar o patamar do Brasil no ramo do teatro musical.

Nesta edição a dupla Möeller e Botelho investe de forma assertiva no lado mais humano das personagens, baseado no livro que deu origem ao roteiro. Anos depois de sua estreia no cinema e após diversas adaptações teatrais, o musical “A Noviça Rebelde” demonstra que seu enredo é atemporal e continua encantando geração atrás de geração. Trazendo uma história de esperança e perseverança embalada pelos romances e lindas canções, sem ser cansativa em suas três horas de duração, deixando a plateia emocionada e entusiasmada do início ao fim, é uma bela indicação de roteiro/ passeio cultural na capital paulista.

Serviço:

A Noviça Rebelde

Temporada: De 28 de Março a 27 de Maio de 2018. Quartas, Quintas e Sextas, às 21h. Sábados, às 16h e 21h. Domingos, às 15h e 20h

Teatro Renault

Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 411 – Bela Vista. São Paulo/SP

Ingressos: R$ 75 a R$ 310

Vendas: Online pelo site da Tickets for Fun (com taxa) ou Bilheteria Local (sem taxa de conveniência)

Duração: 2h45 (+ intervalo de 15 minutos)

Classificação Etária: Livre

por Isabella Flores – especial para A Toupeira

Filed in: Direto da Toca, Teatro

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