Direto da Toca: Participamos da Coletiva de Imprensa Virtual da série “Colônia”

O seriado Colônia foi lançado na Coletiva de Imprensa que contou com a presença do diretor André Ristou e de alguns dos atores. A série conta a história de Elisa (Fernanda Marques), uma jovem de vinte anos que chega ao Hospício Colônia no início dos anos setenta. Ela é enviada pelo pai que, ao descobrir que a jovem engravidou de um namorado, fica enfurecido ao ter seus planos de casá-la com um rico, e velho fazendeiro, arruinados.

No hospital, Elisa se depara com um ambiente pertubador, em que a maioria dos internos, assim como ela, não tem nenhum diagnóstico de doença mental. Elisa passa a fazer amigos entre as outras pessoas internadas e tenta sobreviver, da melhor maneira possível, à rotina de violência e abusos.

A obra é inspirada no livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, que conta sobre o hospital que realmente existiu, na cidade de Barbacena / Minas Gerais, e que ficou famoso pela forma cruel e desumana que tratava os pacientes.

Na coletiva, o diretor André Ristou contou que ao ler o livro de Daniela e ter tomado mais contato com a história, o deixou muito impactado e que quis levar essa história, tão pouco contada, ao público, sem disfarces. Segundo ele, os personagens internados no Colônia representam os grupos sociais indesejados e que sofreram muita violência, e que muitas pessoas foram internadas sem diagnósticos de doença mental.

O hospital era o destino de pessoas rejeitadas pela sociedade da época, como prostitutas, gays, alcoólatras, mendigos e até mesmo militantes políticos, tudo que a sociedade patriarcal e desigual do período não queria por perto.

Andréia Horta, que interpreta a prostituta Valesca, é de Juiz de Fora e contou que só tomou conhecimento do hospital quando já tinha deixado a cidade. A atriz se perguntou o porquê da população não saber dessa parte da memória local e que ficou chocada como mineira, brasileira, mulher e artista. Afirmou que é de grande importância contar essa história.

Rejane Faria, que interpreta Wanda, também é mineira e justamente de Barbacena, cidade onde se localizava o hospital. Mesmo com essa coincidência, disse que não conhecia a história do lugar e que descobriu, durante sua preparação para o papel, que um parente seu passou pelo Colônia. Segundo a atriz, sua mãe contou que a avó dela foi internada lá, mas que os parentes a resgataram quando descobriram como o hospital tratava os internos. Essa descoberta aumentou ainda mais o interesse da atriz pelo trabalho no seriado.

Arlindo Lopes declarou também ter ficado muito interessado na produção. O ator que também atuou no filme Nise – O Coração da Loucura, que também trata de hospitais psiquiátricos, contou que se interessou em atuar em Colônia por ser algo totalmente diferente.

De acordo com ele, em Nise, a narrativa era de afeto e esperança, enquanto que Colônia é sobre abandono e esquecimento. O ator interpreta Gilberto e disse que teve que encontrar um tom diferente para seu personagem, um gay que é mandado para o hospital após o pároco da cidade dizer a sua mãe que lá ele encontraria a cura gay.

Também afirmou que seu personagem acaba se sentindo mais livre naquele lugar inóspito do que fora, em que era oprimido, e que foi um desafio conciliar a leveza e humor de Gilberto à realidade de um lugar tão hostil e cruel.

O ator se sentiu motivado a falar de homossexualidade no seriado depois de saber sobre a estatística de aumento de homicídios contra pessoas LGBTQI+ em 2020, um aumento de 137%. Ainda comentou sobre as dificuldades do papel e que teve que emagrecer cerca de dez quilos para interpretar uma fase do personagem.

Augusto Madeira contou sobre como foi interpretar o enfermeiro Juraci e também sobre as condições terríveis a que os internos eram submetidos. Segundo ele, o hospital era um campo de morte, onde as pessoas eram esquecidas e podiam morrer de inanição, frio e abandono.

Bukasse Kabenguele que interpretou o interno Raimundo, também falou sobre o tratamento desumano que era concedido aos internados e fez um paralelo com a atualidade, sobre como alguns grupos são colocados à margem da sociedade. O ator contou que uma vez um policial chegou a dizer para ele que quem é preso no Brasil é “sempre preto, puta e pobre”.

A produção estreia nessa sexta, dia 25 de junho (data em que você confere nossa Crítica Completa) no Canal Brasil e também estará disponível para os assinantes da plataforma Globoplay.

por Isabella Mendes – especial para A Toupeira

Filed in: Direto da Toca, TV

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