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Crítica: “F1: O Filme”

Assistir a corridas de Fórmula 1 durante minha infância / adolescência, era quase um evento obrigatório. Tudo se tornou familiar nas manhãs de domingo: a voz de Galvão Bueno, os acordes do “Tema da Vitória”, a vibração quando o Brasil era representado no pódio.

Mas, as coisas perderam a razão de ser quando Ayrton Senna (da Silva e do Brasil) saiu de cena. Naquele fatídico 1º de maio de 1994, meu gosto pela modalidade acabou e eu nunca mais acompanhei nada a respeito.

Grande foi minha surpresa ao perceber o quanto foi emocionante, depois de tanto tempo, acompanhar uma corrida automobilística – mesmo sendo fictícia – e, pela primeira vez, em uma tela de cinema – pelo menos no que diz respeito a live-actions.

O centro da ação de “F1: O Filme” (F1: The Movie) está localizado em um campeonato a nove provas de sagrar um novo campeão mundial. O que significa que há muitas cenas passadas em pistas de corridas, que ganham pontos de vistas variados, seja dos pilotos, do público ou dos membros das equipes técnicas.

Se isso é um dos destaques, o longa dirigido por Joseph Kosinski (que já tinha feito bonito em “Top Gun: Maverick”) também tem êxito ao apresentar uma narrativa que, embora não seja tão surpreendente – o que não é um problema, de forma alguma -, consegue despertar interesse imediato, graças à imensa qualidade do roteiro de Ehren Kruger.

Ruben Cervantes (Javier Barden) é um ex-piloto que tornou-se dono da APEX, uma escuderia que corre o risco de ser vendida, pois, mesmo com um nome promissor (Joshua Pearce, interpretado por Damson Idris) como representante nas pistas, e seja uma das primeiras a ter uma mulher no (Kate McKenna, vivida por Kerry Condon) frente à diretoria técnica, não consegue pontuar.

Com poucas rodadas até o fim da temporada, ele decide recorrer a uma figura improvável, a fim de tentar salvar sua equipe. A carta na manga do empresário é Sonny Hayes (Brad Pitt), piloto que fez seu nome nos anos de 1990, quando correu ao lado de ídolos do esporte como Alan Prost, Michael Schumacher, e o nosso eterno tricampeão, Ayrton Senna.

Confuso? Não. Genial. Ao citar pessoas reais – e tão importantes para o tema retratado – em uma história figurada, cria-se uma identificação com os espectadores, que passam a imergir com mais facilidade na proposta, o que faz de cada etapa disputada no campeonato algo realmente emocionante.

Com a carreira interrompida após um acidente em 1993, Sonny abandona a Fórmula 1 e passa a correr em quaisquer outras modalidades, não profissionalmente. A ânsia de sempre estar atrás de um volante é sua motivação e o que o fará aceitar o complicado pedido de Ruben. Três décadas depois, o mundo do automobilismo teve mudanças drásticas – não só no que diz respeito a equipamentos, mas também ao posicionamento humano. E o veterano piloto terá que descobrir como contorná-los em tempo recorde.

É notável a maneira como a trama se desenvolve, sabendo dosar a adrenalina causada pela velocidade – dos fatos, dos carros, das percepções – e o ritmo necessário para que ambos os lados (o antigo e o atual), ou, seja, Sonny e Josh, admitam que os dois podem e devem aprender juntos, se quiserem chegar ao pódio – metafórica e literalmente.

“F1: O Filme” é um pacote completo. A deslumbrante fotografia de Claudio Miranda ajuda a fazer do longa algo a ser admirado, de preferência, em salas IMAX, até porque foi concebido para essa tecnologia. E se, o som dos motores é o mais relevante, dá para acrescentar uma trilha sonora impecável – com faixas originais compostas por Hans Zimmer, e clássicos do rock – e deixar o resultado ainda melhor.

A dica de “Correr para o cinema” faz muito sentido agora.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

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