You are here: Home // Cinema // Crítica: “Jovens Amantes”

Crítica: “Jovens Amantes”

Baseado em experiências próprias da diretora Valeria Bruni Tedeschi (também responsável pelo roteiro junto a Noémie Lvovsky e Agnès De Sacy), “Jovens Amantes” (Les Amandiers / Forever Young) leva às telas algo muito comum à determinada fase de nossas vidas: o exagero.

É fácil perceber o quanto a juventude é pautada em extremos (bons ou ruins) e muitos são retratados na obra, cuja narrativa se passa em 1986, na comuna francesa de Nanterre, e tem como centro a vivência de um grupo de postulantes a alunos da renomada escola do Théâtre Des Amandiers, liderado pelo diretor Patrick Chéreau (Louis Garrel).

O grupo de candidatos comporta as mais diversas figuras: a sonhadora Stella (Nadia Tereszkiewicz), cuja família abastada é mantida longe dos holofotes a todo custo; Étienne (Sofiane Bennacer), o interesse amoroso de Stella, que tem grande dificuldade em assumir sua inaptidão para livrar-se do vício em drogas sem recorrer a nenhum tipo de ajuda.

Ainda entre os principais nomes, Adèle Meszaros (Clara Bretheau), jovem com um espírito livre, que desconhece limites e os ultrapassa sem culpa; e Pierre Romans (Micha Lescot), produtor e diretor da escola que, assim como Patrick Chéreau, é representado com seu nome real (ao contrário dos demais elementos em tela, que surgem como representações fictícias de suas contrapartes verdadeiras).

Boa parte da trama do drama autobiográfico se preocupa em mostrar os nem sempre agradáveis bastidores do curso cênico, com direito a longas sequências que se aprofundam em exercícios promovidos durante as aulas. Tal alinhamento certamente fará mais sentido àqueles que já conhecem esse universo, podendo causar estranhamento ao público em geral.

Nos intervalos das atividades sobre o palco, os personagens encontram tempo para fazer uso de entorpecentes, ter relações sexuais abundantes e sem segurança (resultando no medo de contrair o vírus da AIDS), viver paixões arrebatadoras, e precisarem tomar decisões drásticas sobre fatos que mudariam o rumo de suas perspectivas futuras.

No geral, “Jovens Amantes” tem momentos de acerto, em especial os que oferecem doses de reflexão sobre o papel de relacionamentos poderosos em nossas vidas. E como nos portamos diante deles, para que não nos tornemos vítimas de sua intensidade.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Pandora Filmes.

comment closed

Copyright © - 2008 A Toupeira. Todos os direitos reservados.