Ficar marcado por nossas atitudes, nem sempre é um bom negócio. Ainda mais quando tais ações não são exatamente o que se pode chamar de corretas (perante a sociedade ou qualquer um que tenha o mínimo de juízo e bom senso).
Esse é o dilema vivido pelos protagonistas de “Os Caras Malvados 2” (The Bad Guys 2), que, após os acontecimentos vistos no primeiro filme (lançado em 2022), buscam por uma vida longe dos crimes, mas percebem que as coisas não serão simples para quem foi reconhecido, por tanto tempo, como elementos de índole duvidosa.
Dirigido por Pierre Perifel e JP Sans, o longa começa com um flashback contando os primórdios repletos de luxo e requinte do quinteto formado por Sr. Lobo (voz de Sam Rockell / McKeidy Lisita), Sr. Tubarão (voz de Craig Robinson / Renan Freitas), Sr. Cobra (voz de Mark Maron / Sérgio Moreno), Sr. Piranha (voz de Anthony Ramos / Duda Espinoza) Srta. Tarântula (voz de Awkwafina / Jennifer Gouveia).
Para logo depois, mostrá-los em situação contrária, quando procuram – sem sucesso – por uma colação profissional honesta. Sem saber o que fazer, os amigos se esforçam para seguir no caminho da legalidade, deixando para trás qualquer resquício de ambição por conquistas fáceis.
Até o momento em que são “convocados” por um novo trio de criminosas – liderado pela misteriosa Gatinha Felina (Danielle Brooks / Angélica Borges) – que vê na experiência dos protagonistas, o elemento que falta para conseguirem levar adiante um plano megalomaníaco de roubar todo o ouro do planeta Terra.
Caberá aos agora “Caras Legais” encontrarem um jeito de ajudar (a contragosto) as vilãs, sem que isso faça com que voltem a cometer infrações como antes. Enquanto precisam provar sua boa vontade para a promovida à Comissária, Misty Luggins (Alex Borstein / Isabela Quadros), e proteger a reputação da Governadora Diane Raposina (Zazie Beetz / Ana Paula Martins), cujo passado como Pata Escarlate ainda parece uma ameaça.
Com as personalidades das figuras principais bem estabelecidas em seu antecessor, o roteiro de Yoni Brenner, Etan Cohen e Aaron Blabey (autor dos livros originais, nos quais as animações se baseiam) consegue mais liberdade para criar situações – que vão das clássicas perseguições de carro a uma missão em pleno espaço.
Além do imediato interesse que a história provoca, os espectadores também são brindados com detalhes incríveis, variando entre os que ajudam no andamento do enredo (vide o nome de um metal fictício de extrema relevância, a McGuffinita) e os que estão lá apenas para divertir (como a inscrição numa caneca, que faz um inteligente trocadilho com uma famosa citação cinematográfica).
“Os Caras Malvados 2” não só mantém, como amplia a qualidade vista na produção que dá início ao que, mais do que nunca, tem tudo para se estabelecer como franquia nas telonas. Visualmente é deslumbrante, faz um uso diferenciado de texturas – o que causa ótimas impressões.
Assim como carrega um texto que prende a atenção (ao trazer assuntos voltados a diversas espécies de relacionamentos, de amizades a interesses românticos e profissionais), boa escolha de faixas para a trilha sonora, personagens carismáticos. Enfim, é um pacote completo e mais um enorme acerto da DreamWorks.
Ciente de sua competência, a obra aposta em um bom gancho para o que pode vir a ser uma sequência futura, com uma cena pós-crédito que deixa uma porta aberta, esperando apenas por uma merecida recepção positiva do público.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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