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Crítica: “Iron Lung – Oceano de Sangue”

“Isso não é uma expedição. É uma execução.”

Genericamente falando, há tempos o mundo dos games é dominado pelos mesmos títulos e desenvolvedores. Aguardados por uma legião de consumidores ao redor do mundo, determinados lançamentos são capazes de movimentar milhares de dólares em curto período.

Sendo assim, quando uma proposta independente alcança êxito nesse mercado, é um fato a se comemorar. É o caso de Iron Lung, desenvolvido por David Szymanski que, quando lançado em 2022, conquistou a atenção de um público bem maior do que seria esperado.

Entre os admiradores está Mark Fischbach (“Markiplier”), youtuber, ator e comediante norte-americano, conhecido por fazer gameplays de títulos de terror, que comprou os direitos para fazer uma versão cinematográfica do jogo.

O resultado é “Iron Lung – Oceano de Sangue” (Iron Lung), filme produzido, roteirizado, dirigido e protagonizado por Markplier e que, com um custo estimado em US$ 3 milhões, já se tornou um dos grandes sucessos do ano, com uma arrecadação atual que ultrapassa os US$ 50 milhões.

Tal qual o próprio game (cuja duração total é de cerca de 1 hora, em uma surpreendente comparação com os excessivos 127 minutos do longa), a trama vista em tela é simples: como se não bastasse o estrago feito todos os dias na Terra, os humanos conseguiram colonizar o espaço.

Um prisioneiro – agora nomeado como Simon, O Carniceiro (Mark Fischbach) é condenado a pilotar o SM-13 “Iron Lung” (Pulmão de Ferro, em tradução literal), um precário submarino durante uma expedição ao fundo de um Oceano de Sangue.

A missão ocorre em uma lua remota, depois do chamado Arrebatamento Silencioso, que culminou no desaparecimento de planetas e estrelas.  A sobrevivência dos poucos que restaram se deu por estarem em estações espaciais e naves estelares.

Simon deverá fazer registros do fundo do oceano, a fim de confirmar se a continuidade de nossa espécie é algo viável, apesar de tudo. As imagens – feitas através de uma câmera rudimentar de Raio-X – são o único contato do personagem com o mundo exterior, uma vez que o submarino teve as saídas soldadas por fora.

Passada exclusivamente no interior da cabine da embarcação, a história atende a intenção de causar desconforto nos espectadores. A escassez de recursos obriga o protagonista a desenvolver métodos que ajudem em sua localização e que, de alguma maneira, aumentem as chances de sair dali com vida, o que, em teoria, garantia sua liberdade.

“Iron Lung – Oceano de Sangue” usa os baixos custos de produção a seu favor. O cenário único (com exceção dos rápidos flashbacks) e restrito ajuda o público a imergir na narrativa. A utilização de muitos ângulos destacando o rosto de Simon também causa essa proximidade claustrofóbica.

Alguns dos recursos mais interessantes que lembram, de imediato, situações vistas em jogos de sobrevivência, e devem ser reconhecidos com facilidade pelos gamers em geral. De todo modo, mesmo aqueles que não estão acostumados com esse tipo de conteúdo, não terão dificuldade em entender o que é apresentado em cena.

Mas nada funciona tanto quanto a parte sonora do filme. O som constante dos aparelhos do painel de comando em consonância com o barulho quase “pesado” do submarino navegando entre sangue coagulado e bolhas de ar são o ponto alto da adaptação que, deverá ter uma base fiel de seguidores que farão seu lucro aumentar enquanto estiver em cartaz.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

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