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Crítica: “Casamento Sangrento: A Viúva”

“A noiva sobreviveu. A bola está em jogo.”

Lançado em 2019, “Casamento Sangrento” é o tipo de filme que parece ter utilizado todo seu potencial criativo em capítulo único. Tudo que ocorre em sua narrativa leva a um final que satisfaz o público e, teoricamente, não deixa brechas para continuações, uma vez que todas as pontas soltam são bem amarradas na conclusão.

Mas, a coisa muda de figura quando descobrimos que ainda há um universo bem maior a ser explorado. E, dessa vez, Grace MacCaullay (Samara Weaving) não estará sozinha para enfrentar as situações ainda mais absurdas às quais será submetida.

Se no longa antecessor, o cenário era a Mansão dos Le Doma, sogros da protagonista, agora o perigo se esconde no resort de outra família poderosa, os Danforth, liderada pelos irmãos gêmeos Ursula (Sarah Michelle Gellar) e Titus (Shawn Hatosy), após a morte do patriarca (interpretado pelo diretor David Cronenberg, em inusitada participação).

A sobrevivência de Grace faz com que os integrantes d’O Conselho (demoníaco) do Sr. Le Bail cheguem de várias partes do mundo, para uma espécie de reunião extraordinária – fato que não se repetia desde 1963.

O intuito é claro: iniciar uma nova perseguição à noiva, a fim de dar fim à sua vida. O responsável pelo ato ganha o direito de liderar os demais de maneira soberana, ostentando o título de Grão-Trono, símbolo máximo de poder da organização.

A narrativa de “Casamento Sangrento: A Viúva” (Read or Not 2: Here I Come) começa imediatamente após os acontecimentos vistos em seu antecessor. Conduzida ao Hospital, após o incidente na noite de seu casamento com Alex Le Domas (Mark O’Brien), quando descobre que seria sacrificada por parentes satanistas, a jovem terá que prestar contas à polícia e provar sua inocência na chacina ocorrida na mansão.

Enquanto tenta encontrar uma saída, Grace é surpreendida pela aparição de sua irmã caçula, Faith (Kathryn Newton), com quem não tem contato há sete anos. Mal sabiam as duas que esse seria um péssimo momento para esse reencontro.

Levada ao centro da ação – entenda-se o “campo de batalha” da vez – a dupla terá que enfrentar a fúria e a ganância daqueles que não tencionam abrir mão de suas vidas confortáveis e luxuosas (resultado de suas decisões e pactos firmados com o sobrenatural).

Apesar de regras rígidas – sempre lembradas pelo personagem nomeado apenas como O Advogado (Elijah Wood), os participantes têm liberdade para fazer uso de diversas armas letais, o que faz de cada embate, algo único, já que sempre há um elemento novo para se atacar e do qual se defender.

Escrita por Guy Busick e R. Christopher Murphy, a narrativa tem mais camadas, deixando claro que a dinâmica mortal não se restringia a uma família disfuncional, mas que é parte de algo muito maior e sombrio. E isso faz com que haja mortes brutais (e criativas), sangue jorrando à vontade e revelações importantes em cena.

Sob a direção dupla de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, “Casamento Sangrento: A Viúva” tem momentos memoráveis, como o confronto entre Grace e a espanhola Francesca El Caído (Maia Jae), cuja violência gráfica inexplicavelmente combina com perfeição à improvável trilha sonora escolhida para a cena.

Destaques pontuais para o retorno do icônico figurino composto pelo vestido de noiva (não tão branco assim) e o par de tênis de lona amarelo de Grace, que agora assume de vez o manto de final girl – com direito a algumas das decisões mais inteligentes dos últimos tempos em produções do gênero.

Dica: Para entender a história, não é necessário ter visto o primeiro filme – até porque há um bom resumo dos fatos no início dessa sequência. Mas, quem já conhece a proposta, deve  aproveitar mais a experiência.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela 20th Century Studios.

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