
Crédito: Angela Debellis
Certa vez me disseram que ser empática demais era um defeito. Em outra ocasião, me julgaram por, mentalmente, carregar uma mochila cheia de pedras que nem mesmo me pertenciam. Mal sabiam que, na verdade, eu tinha vários elefantes sentados em meu coração.
A tristeza é um sentimento comum e inevitável a todo ser vivo. Mas, falar sobre ela ou aceitar sua presença em alguns momentos no decorrer de nossas trajetórias, nem sempre é uma tarefa fácil.
Por isso é tão louvável a delicadeza com que a autora Anna Claudia Ramos escreve sobre o tema em sua obra “Tem um elefante sentado no meu coração”. Lançado pela Elo Editora, o livro torna-se ainda mais rico graças às adoráveis ilustrações de Lara Bordalo, que contribuem para aproximar os(as) leitores(as), da pequena protagonista da história.
A narrativa nos apresenta uma menininha (cujo nome não é revelado – artifício que pode nos colocar em seu lugar), surpreendida com a chegada de um elefante que decide fazer morada em seu coração. O que a princípio parecia algo inofensivo, ganha outros contornos quando outros animais semelhantes surgem para dividir o espaço em seu peito.
Esse peso inesperado faz com que a garota deixe de fazer coisas que lhe são importantes. Não existe mais alegria ou disposição para brincar, ir à escola ou ler. E, até mesmo o simples ato diário de tomar banho se transforma em uma tarefa penosa.

Crédito: Angela Debellis
Mas, felizmente, ela não está sozinha. Com a preciosa ajuda de sua irmã mais velha, aos poucos ela vai se desvencilhando dos paquidermes, conforme retoma suas atividades. Sem pressão ou exigências, apenas com a fundamental confiança de que tudo vai dar certo.
Em sua simplicidade, o livro não só é encantador, mas também é necessário. Aprender a lidar com o que nos aflige, desde a infância, ajuda a formar adultos menos ansiosos e mais seguros. Indivíduos que reconhecem e respeitam a própria história, suas forças e fraquezas, assim como as dos que os cercam.
Os elefantes nunca sumirão por completo, afinal, a vida às vezes não será leve como gostaríamos. Mas, saber que não precisamos carregá-los permanentemente auxilia na aceitação de sua existência em nosso caminho.
Uma rede de apoio (seja vinda através de um familiar, um amigo ou um profissional de saúde) é imprescindível para sabermos lidar com os pesos que parecem capazes de nos tirar o ar. Passar por isso sozinho faz com que o desafio seja muito maior então, não recuse, nem se envergonhe por pedir ajuda – e, se possível, seja você a mão que ampara e torna a caminhada de alguém mais suave.
por Angela Debellis
*Leitura feita a partir do livro cedido pela Elo Editora.


comment closed