Crítica: “A Maldição do Queen Mary”

Desde o ponto de partida, a premissa de “A Maldição do Queen Mary” (Hauting of the Queen Mary) se mostra interessante por trazer o ineditismo de se gravar um filme dentro das dependências do icônico navio – que navegou entre os anos de 1936 e 1967, até ser atracado em Long Beach, onde foi transformado em atração turística (ainda ativa atualmente).

A imponente embarcação é palco para que duas tramas sejam contadas simultaneamente: uma passada em 1938, que tem como protagonistas “Os Diabólicos Ratch”, casal de trambiqueiros formado por David (Will Coban, o melhor em cena) e Gwen (Nell Hudson), cujas intenções não são exatamente claras.

Suas ações parecem girar em torno do sonho da filha Jackie (Florrie May Wilkinson) de se tornar uma famosa dançarina mirim (lembrando que uma das maiores estrelas da época era o cantor e dançarino Fred Astaire, aqui, interpretado por Wesley Alfvin).

A outra história acontece em dias atuais, também com uma família em foco: Anne Calder (Alice Eve), seu filho Lukas (Lenny Rush) e seu companheiro Patrick (Joel Fry). A consultora de marketing digital almeja lançar um livro sobre os famosos relatos sobrenaturais ocorridos no navio, e, para isso, vai até lá conversar com Capitão Bittner (Dorian Lough), o funcionário mais antigo do local.

As narrativas se entrelaçam durante toda a produção, mesmo que não que haja elementos em comum para isso. O que parece é haver uma tentativa de ligá-las através de acontecimentos passados que, supostamente, são frutos da ação de espíritos que estão presos ao Queen Mary e que possuem tripulantes / passageiros, plantando a discórdia e o caos (culminando em assassinatos sangrentos e sem explicação racional).

Dirigido por Gary Shore (também responsável pelo roteiro junto a Stephen Oliver e Tom Vaugham), o longa – planejado para ser o capítulo inicial de uma vindoura trilogia – padece do mal de querer apresentar muitas coisas ao mesmo tempo, para isso se estendendo por extensivos 125 minutos. Quem sabe, fosse o caso de se compor algo mais simples, mas que não tivesse tantos altos e baixos.

Embora haja quase uma onipresença de cenas escuras, são inúmeras variações de estilo. Se uma sequência abusa das cores fortes (como na mais explícita da obra, que mostra o resultado de uma chacina cometida em 1938), outras carregam a exposição do preto e branco. Todas são válidas, mas parecem perder um pouco do impacto que teriam, caso fossem usadas com mais parcimônia.

É complicado classificar “A Maldição do Queen Mary”, porque não tem tantos recursos assustadores para ser um terror; nem uma condição tão comovente, para tornar-se um drama. Talvez, seja mais justo dizer que é um título aceitável de mistério, o que pode acabar surpreendendo quem esperava por algo mais visceral.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

 

Filed in: Cinema

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