Crítica: “A Paixão segundo G. H.”

Nunca imaginei ser possível assistir a um filme monólogo com mais de duas horas de duração, e surpreendentemente, em nenhum momento, tornar-se desinteressante. Esse é o resultado do entendimento de um grande diretor (Luiz Fernando Carvalho) e uma grande atriz (Maria Fernanda Cândido), com um grande texto nas mãos (“A Paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector).

Tudo é genial. Toda a fragmentação, os enquadramentos para cada frase, o jogo de tomadas, as nuances da interpretação de Maria Fernanda, a assinatura detalhista de Luiz Fernando transbordam arte da melhor qualidade. É Clarice Lispector entregue ao público de uma maneira potencializada, da forma como sempre deveria ser, tamanha é sua obra.

Seria injusto não citar a rápida participação, e não menos importante, da atriz Samira Nancassa, o que não descredencia a obra como um monólogo.

Os sons são personagens que dialogam com G.H., muitas vezes amplificando seus sentimentos, e outras vezes castigando suas decisões. O som da forma como é explorado e executado, torna-se elemento fundamental e indispensável para a composição muito bem sucedida deste filme.

Continuando a falar do som, agora do som da voz de Maria Fernanda, somado a sua imagem belíssima e soberana, continua ecoando em nossas mentes, parecendo uma sala de espelhos, onde nos assustamos com nossa própria imagem, mas aqui, a cada virada de cabeça, parece que o reflexo que nos assusta é o dela. Um susto bom, se é possível que isso exista. Um jogo magnífico que nos persegue por horas, dias após a contemplação da adaptação cinematográfica de “A Paixão segundo G. H.”.

A introspecção e os questionamentos mentais de G.H., toda a complexidade da auto-conscientização de sua individualidade, provoca, de maneira muito inteligente, uma autoavaliação em quem está sentado de frente para a tela. E Luiz Fernando foi generoso, como poucos, pois soube cuidadosamente transportar essa emoção/sensação para o público.

Ao assistir ao filme envolva-se, respire-o, absorva-o, e se deixe levar para esse universo infinito de Luiz, Maria e Clarice.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

*Titulo assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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