Em tempos de relacionamentos tão descartáveis e passageiros, é fácil confundir solitude e solidão. Enquanto a primeira promove um necessário autocuidado e um merecido descanso emocional, a segunda tende a fazer com que nos sintamos deslocados, aumentando ainda mais um distanciamento que se mostra problemático desde que surge em nossas vidas.
Lançado em 2021, “A Sogra Perfeita” nos apresentou Neide (Cacau Protásio), mãe dedicada e orgulhosa proprietária de um salão de cabeleireiro, que, recém divorciada, buscava a liberdade que sentia lhe ter sido tirada devido a anos de dedicação contínua à família.
Com os dois filhos trilhando seus caminhos individuais, a protagonista imagina ter alcançado o objetivo de ter uma rotina na qual esteja em primeiro lugar. É o que vemos em “A Sogra Perfeita 2”, mas as consequências não são exatamente o que ela esperava.
Seu namorado Oliveira (Marcelo Laham) quer dar um passo importante na relação e, como talvez um dos últimos românticos do mundo, almeja fazer um pedido formal de casamento à amada. Porém, Neide enxerga nessa decisão algo que pode vir a cercear sua tão esperada autonomia.
Após o inesperado fora que leva, o padeiro ainda terá que lidar com a chegada de sua mãe Dona Oliveira (Fafy Siqueira) e de seu irmão caçula, Segundinho (Ricardo Pereira), que, portando um convidativo tabuleiro com duzentos Bem-Casados, vieram direto de Portugal para o matrimônio.
Sem tempo para pensar em dilemas do coração, a atenção da agora ex-namorada / quase noiva está voltada à disputa pelo troféu Tesoura Dourada – além de 50 mil reais -, promovida pelo concurso de beleza Transformation. A competição tem como um de seus maiores nomes, o sorrateiro Richard Lambert (Luis Miranda), conhecido pela elaboração de penteados exóticos.
Para completar, a divertida Sheila (Evelyn Castro), percebe que talvez o companheirismo que as une há tantos anos, talvez não seja suficiente para lidar com certas escolhas feitas por aquela que considerava sua melhor amiga.
Apuros relacionados a amor, trabalho e amizade compõem a tríade que Neide terá que enfrentar simultaneamente. Se parece sério ou complicado demais, nas mãos das roteiristas Flávia Guimarães e Bia Crespo, tal conteúdo vira o combustível perfeito para dar corpo a uma comédia que diverte sem fazer esforço, de maneira simples e natural.
Em relação ao longa anterior, a narrativa é ampliada e dá à sequência dirigida por Chris D’Amato e Bianca Paranhos um ar mais complexo e interessante. Essas histórias paralelas – que, quando olhadas mais de perto, são parte de um mesmo conjunto – fazem o espectador simpatizar com os personagens e esperar pelas resoluções de suas tramas com a mesma empolgação.
“A Sogra Perfeita 2” é o tipo de longa que deixa uma boa sensação ao seu término e mostra, assim como seu antecessor, ter grande aptidão para ganhar desdobramentos futuros.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.


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