Crítica: “Amanhã”

“Amanhã”, documentário de Marcos Pimentel, traz o passado e futuro de três crianças, com realidades sociais distintas.

Em 2002, o diretor registrou momentos de lazer das crianças, onde a desigualdade social era vista apenas de fora, não entre elas. Vinte anos depois, em 2022, ele retorna ao convívio destes jovens, a fim de traçar um panorama da realidade social brasileira, através dessas três vidas.

Num tom de tristeza e desesperança, nos surpreendemos com histórias de vida não muito distante do que poderíamos imaginar, se observarmos o que a imprensa vem, há anos, noticiando.

Um contraponto da história que não aconteceu, e que poderia evidenciar ainda mais a questão da desigualdade social, preferiu escrever com sua negação em não participar da continuidade das filmagens. Isso, de certa forma, gera uma mensagem subliminar poderosa a ser conferida ao assistir ao filme.

Pimentel atua no documentário, não somente como diretor, mas também, como narrador, expondo suas dificuldades, e impressões do próprio longa.

No retorno dos vinte anos após o início do trabalho, o diretor-narrador se depara com fatores instáveis, que vão além dos óbvios problemas da exclusão social, mas tão difíceis como: os problemas psicológicos das personagens da vida real, um mal crescente nas últimas décadas, que, por vezes, atrapalhou as filmagens, causando insegurança e instabilidade.

O documentário aproxima-se do formato reality show mostrando uma realidade não muito atrativa para os adoradores do gênero. Deparamo-nos com alguns temas muito conhecidos e debatidos na atualidade, como preconceito, política e déficit habitacional, entre outros.

Há uma sensação de vazio e impotência, de mãos atadas, em saber que, ao sairmos da sessão, nada vamos fazer, que vamos nos esquecer daquela história comum da realidade brasileira, dos problemas alheios, e seguir nossas vidas, com o privilégio de poder ir ao cinema.

Continuar reclamando dos nossos problemas irreais, irrisórios, como por exemplo, que a poltrona não estava confortável, ou que o cheiro da pipoca do vizinho desagradou, ou que tinha uma pessoa muito alta na sua frente.

Mas, o movimento de esquecer, de ignorar, sempre andará de mãos dadas com a culpa, e é esse o peso do “Amanhã”.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Descoloniza Filmes.

Filed in: Cinema

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