
Originalmente concebido para home vídeo, como um título OVA (Original Video Animation) “Angel’s Egg” (Tenshi no Tamago), dirigido por Mamoru Oshii e com arte de Yoshitaka Amano, chega aos cinemas brasileiros em versão remasterizada, para celebrar seus 40 anos. A distribuição no país é feita pela Sato Company.
Em seus 70 minutos de duração, acompanhamos uma garota sem nome que atravessa um mundo pós-apocalíptico protegendo um ovo (que supostamente é de um anjo) e armazenando água. No caminho, ela encontra um soldado que decide segui-la.
Não há muito a dizer sobre o enredo, pois o longa – propositalmente – não fornece nenhum tipo de explicação ao público, que terão uma experiência mais proveitosa se buscarem apenas uma obra para se contemplar e admirar a bela estética visual.
Não sabemos em que época a narrativa se passa, o que arrasou aquele mundo, quem é a protagonista, por que ela carrega o ovo, o que a levou a ficar sozinha, por qual motivo coleciona água.
Assim como não é uma incógnita o personagem masculino que faz a tal travessia durante o filme. Ele (que também não tem o nome revelado) parece ser um soldado que ostenta uma estranha arma em formato de cruz, mas nunca é explícita qual guerra o espera, quem são os pescadores ou por que a vila está vazia. Nada recebe qualquer contexto. Diálogos são raros, e para dar sentido ao final você precisa preencher as lacunas por conta própria.
O que faz com que cada espectador acabe formulando teorias diferentes, levando a obra a ter inúmeras formas de ser compreendida – ainda mais porque nenhuma opinião é invalidada, já que não existem respostas oficiais ou que deem ao anime uma versão categórica.
O visual compensa a falta de detalhes da trama. Mesmo datada, a estética visual, com suas cores, sombras e movimentos, sustenta a experiência. A trilha sonora alterna silêncios prolongados com temas grandiosos de forma precisa, acrescentando carga emocional nos momentos certos.
No fim, “Angel’s Eggs” não é um anime tradicional é mais como uma experiência de assistir a um clássico muito bonito, cujo ritmo “fora do padrão” não conquistará a todos (pense na velocidade de informações e quantidade de conteúdo que consumimos quase incessantemente todos os dias), mas que, a seu modo, consegue ser envolvente.
por Thyago Evangelista – especial para A Toupeira
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sato Company.


comment closed