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Crítica: “Anônimo 2”

“Na vida, quando as coisas ficam difíceis, precisamos ter boas lembranças que nos ajudam a superar”

“Anônimo 2” (Nobody 2) chega aos cinemas quatro anos depois de seu antecessor e traz uma história tão eficaz quanto. Na trama escrita por Derek Kolstad, o protagonista decide tirar férias com sua família, mas nada pode ser tão fácil assim, quando se trata de Hutch Mansell (Bob Odenkirk).

Tal passeio – decidido de última hora – talvez seja a última chance do carismático personagem tentar uma reaproximação com a esposa Rebecca (Connie Nielsen) e os filhos Brady (Gage Munroe) e Sammy (Paisley Cadorath), a quem tem negligenciado, enquanto continua arcando com as consequências de seu passado violento como assassino profissional.

O local escolhido – um Parque aquático / de diversões localizado na cidade americana de Plummerville – parece oferecer uma espécie de segurança emocional a Hutch, já que carrega lembranças de bons momentos vividos lá, junto ao pai David (Christopher Lloyd) e o irmão Harry (RZA) na infância.

Mas, décadas depois dessa saudosa excursão, ele perceberá que o ambiente já não é tão amistoso e acolhedor e que a corrupção – na forma do Xerife Abel (Colin Hanks) e do proprietário do Parque, Wyatt Martin (John Ortiz), e o crime – liderado pela mortalmente perigosa Lendina (Sharon Stone), agora se fazem tão presentes quanto o imenso pato amarelo que adorna os barcos temáticos do lugar.

Sob a direção de Timo Tjahjanto, o filme é um dos títulos de ação mais interessantes até esse momento de 2025, sabendo entregar sequências de luta memoráveis – como a passada em um elevador (vista em partes no trailer oficial), cujo limitado recinto amplia a destreza dos golpes aplicados – e a que envolve uma serra circular de bancada.

Assim como cenas mais emocionais, no que diz respeito à expectativa de Hutch em transformar o passeio em algo de fato inesquecível – no melhor dos sentidos – para seus entes queridos. Essa dualidade, aliada a uma vulnerabilidade que não é maquiada com ações mirabolantes ou improváveis, são suas melhores características, as que o aproximam do público, de um jeito natural.

Trabalhando de maneira inteligente com a ação, seu gênero principal, mas sem abrir mão de um texto divertido (que beira o caricato e, por isso mesmo, conquista a simpatia dos espectadores, de primeira), o longa consegue encontrar seu espaço entre títulos que fazem jus à alta classificação etária, sem se colocar uma seriedade demasiada (e desnecessária) sobre seus ombros.

Se a obra tem uma ótima trilha original composta por Dominic Lewis, ainda cabe destacar a eclética inclusão de nomes renomados da música, como Spiral Starecase, Tony Bennet, The Offspring e Céline Dion – esta, embalando um dos melhores momentos em tela.

“Anônimo 2” é o tipo de continuação que não era, necessariamente, aguardada (ou fundamental), mas que prova o quão acertada foi a decisão de fazê-la.

Vale muito a pena conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Sessão Regular de Cinema.

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