“A pior parte não é morrer. É perceber que você está sozinho.”
Diz o famoso ditado que “Se conselho fosse bom, não se dava, se vendia”. O que deixa claro o cuidado que devemos ter ao escolher a quem recorrer quando precisamos de orientações sobre algo relevante em nossas vidas.
Cuidado este que Keane O’Hara (John Magaro) – um dos protagonista de “Conselhos de um Serial Killer Aposentado” (Psycho Therapy: The Shallow Tale of a Writer Who Decided to Write About a Serial Killer) não teve ao tentar resolver um dos mais temidos problemas entre escritores: o bloqueio criativo.
Após o bem-sucedido lançamento de seu primeiro livro, o autor literário que reside em Nova Iorque, se vê, há quatro anos, com extrema dificuldade em colocar no papel o que (inexplicavelmente) acredita ser uma boa ideia: um romance passado em 40.000 AC, na Eslovênia, entre uma Homo Sapiens e o último Neandertal.
A relutância em aceitar a falta de rendimento e a insistência em algo que não parece promissor são o estopim para colocar o casamento de Keane em risco. Quando sua esposa Suzie (Britt Lower) decide pedir o divórcio, é hora de lutar pela manutenção do relacionamento.
Enquanto tenta absorver o iminente término, Keane recebe uma providencial ajuda de um completo desconhecido, que se declara fã de seu trabalho: Kollmick (Steve Buscemi), supostamente um seria killer aposentado, que tenciona servir como uma espécie de consultor para a próxima obra do escritor. Sai o romance pré-histórico, entra a narrativa de um assassino.
Circunstâncias inesperadas fazem com que Suzie confunda Kollmick com um conselheiro matrimonial, apto a promover sessões de terapia, para, quem sabe, restituir a paz e a vontade de levar a relação a dois adiante. Mas, após um tempo e algumas descobertas, a decoradora de interiores com aparência de eterna frustração se imagina em perigo real, como a próxima vítima do matador.
Quando tantas camadas são apresentadas ao mesmo tempo, o roteiro de Tolga Karaçelik (também à frente da direção) se transforma em algo sombriamente divertido, afinal, o público sempre soube que por trás da fachada fria / profissional do conselheiro especialista em amor, havia alguém que trata com naturalidade seu passado repleto de mortes.
Se o humor da produção não trilha o caminho básico quando se pensa em uma comédia, os pontos mais improváveis compensam as brechas menos interessantes, seja com a presença de uma lhama no meio de um bar de um mafioso albanês ou a inserção de uma gata empalhada como elemento de análise conjugal.
A trilha sonora original composta por Nathan Klein cumpre seu papel, mas é na escolha de faixas consagradas que o filme se destaca, ao incluir músicas como “Yes, Sir, I can boogie” (de Baccara) e “Killing me softly” (imortalizada na voz de Roberta Flack e ouvida em uma das sequências mais inteligentes da trama).
“Conselhos de um Serial Killer Aposentado” pode não agradar a todos os público – ainda mais quem busca por risadas fáceis – mas, definitivamente, é um título válido a ser conferido.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Synapse Distribution


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