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Crítica: “Corações Jovens”

“O primeiro amor faz você se sentir vivo.”

Entre muitas passagens que marcam nossas histórias, creio que a primeira vez que nos apaixonamos é uma das mais impactantes. É quando o mundo que julgávamos conhecer ganha outras cores e a dimensão do que sentimos parece muito maior do que somos capazes de entender.

Nem sempre essa experiência culmina em um final feliz, nem sempre o sentimento é recíproco. Mas, quando dá certo, é como se houvesse mágica em meio ao caos que simboliza o período que engloba a pré e a adolescência propriamente dita – quando, em geral, acontece esse desabrochar de sensações.

A narrativa de “Corações Jovens” (Jungle Herzen / Young Hearts) faz uma leitura repleta de sensibilidade desse período. Roteirizada e dirigida por Anthony Schatteman, a produção belga-holandesa entrega ao público um resultado que faz brilhar uma ponta de esperança e o desejo de que, na vida real, haja tanto amor, respeito e aceitação quanto na tela de cinema.

O longa se passa no interior da Bélgica, onde o tímido Elias Montero (Lou Gooseens) mora com seu pai, Luk (Geert Van Rampelberg), sua mãe Nathalie (Emilie De Roo) e seu irmão Maxime (Jul Goossens). O jovem leva uma vida tranquila, com uma rotina que inclui acompanhar as apresentações musicais do pai (que é cantor), enquanto alia estudos e o namoro com a colega de classe, Valerie (Saar Rogiers).

Mas, tudo muda com a chegada de seu novo e radiante vizinho, Alexander (Marius De Saeger), que, após a perda da mãe, sai de Bruxelas com o pai Marc (Olivier Englebert) e a irmã caçula, Ella (Olga De Saeger), para tentar escrever uma nova história familiar.

O claro interesse de Alexander faz Elias começar a questionar seus próprios sentimentos e o que ele imaginava sobre ter se apaixonado de verdade por alguém, até aquele momento. Ao resistir ao que pede seu coração, o jovem percebe estar erguendo muros internos, a fim de evitar sofrimentos que julga impossíveis de serem evitados.

A jornada para o garoto aceitar-se em sua plenitude é que vamos acompanhar. E isso é feito de maneira cuidadosa e sincera, levando o espectador a torcer pelos personagens, mesmo quando surgem dúvidas – e temores – sobre o que virá adiante.

Dois momentos merecem destaque: a conversa franca de Elias e seu avô, Fred (Dirk van Dijck), que resume o que de fato importa em se tratando de respeito e amor incondicional. E a belíssima sequência que ocorre durante uma festa, envolvendo um aquário. A movimentação de câmera é um lindo aceno a outra produção romântica muito relevante – facilmente reconhecida, graças a certos elementos em tela.

“Corações Jovens” é, acima de tudo, gentil. Assim como a vida deveria ser. E isso faz dele um filme precioso e que vale muito a pena conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Mares Filmes

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