Crítica: “Corra!”

Quando tratamos dos gêneros suspense e terror, há uma gama de possibilidades que podem servir de base para criar relatos marcantes. Mas, além dos clássicos monstros e criaturas sobrenaturais, há um elemento que costuma se sobressair se o assunto for maldade intrínseca: o ser humano.

É o que mostra a trama de “Corra!” (Get Out), longa que chega aos cinemas brasileiros em 18 de maio, carregando o status de cult por sua inesperada e bastante expressiva arrecadação em território americano e por ter conseguido a aprovação da esmagadora maioria da crítica especializada.

O protagonista da história é Chris (Daniel Kaluuya), um jovem fotógrafo, cuja vida é transformada após aceitar o convite para passar o fim de semana na casa dos pais de sua namorada Rose (Allison Williams). Tudo estaria bem se não fosse a existência inaceitável e assustadoramente real do racismo que não tolera algo que deveria ser considerado comum: o relacionamento interracial entre um negro e uma branca.

Apesar de ser muito bem tratado ao chegar ao local, Chris logo percebe que há algo errado sob o aparente véu de “família perfeita” que os Armitage carregam. Haveria alguma razão escusa para os empregados, cujos comportamentos demonstram uma excessiva submissão, serem negros?

Através de cada descoberta do personagem, o público é transportado mais para o fundo do sempre polêmico assunto envolvendo a questão racial. A maneira como o tema é tratado é tão pungente, que em muitos momentos é difícil não se sentir perturbado com o que se vê na tela.

O longa tem o comediante Jordan Peele como roteirista e diretor, e ele conseguiu êxito em inserir momentos de alívio cômico no meio de tanta tensão promovida pela narrativa. O maior responsável por isso é Rod (Lil Rel Howery), melhor amigo de Chris, que será uma das peças fundamentais na conclusão da história.

Cabe ainda falar que os momentos finais da produção são de fato brilhantes. As reviravoltas – todas devidamente explicadas – fazem com que quase todas as convicções traçadas ao longo da exibição caiam por terra. Os espectadores, que já são colocados dentro da ação através da empatia sentida por Chris, acabam sendo “vítimas” de uma bem sucedida tentativa de surpreender o público.

Prepare-se para correr (literalmente) para os cinemas na estreia.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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