“Ser único, às vezes pode ser solitário. Mas você não está sozinho.”
A frase direcionada ao protagonista de “Elio” pode ser aplicada a qualquer um que já tenha se sentido deslocado, como se não pertencesse ao mundo em que vive. E esse é justamente o público que vai se encantar com a nova animação da Disney / Pixar.
Devido à trágica perda dos pais, Elio Solis (voz de Yonas Kibreab na versão original e Lorenzo Tironi na versão em português) vai morar com sua tia, Olga Montez (Zoe Saldana / Juliana Paiva). Ambos veem suas rotinas mudadas radicalmente e nenhum dos dois está feliz com isso, ainda que haja carinho e consciência de responsabilidade entre eles.
Em uma visita ao Centro de Pesquisas Espaciais no qual Olga trabalha, o menino descobre o que julga ser a solução ideal para seus problemas de não pertencimento: uma abdução alienígena. Conseguir algum tipo de contato com espécies de outros planetas será sua nova missão de vida.
Embora pareça algo absolutamente improvável, o fato é que Elio não só alcança seu intento, como assume – não de modo intencional – o papel de Líder Intergaláctico da Terra, diante de Questa (Jameela Jamil / Júlia Ribas), Helix (Brandon Moon / Márcio Marconato) e Tegmen (Matthias Schweighöfer / Marcelo Pissardini), trio que faz parte do grupo de embaixadores do chamado Comuniverso.
A organização – que conta com representantes de várias galáxias – está sendo ameaçada pelo implacável Lorde Grigon (Brad Garrett / Zeca Rodrigues), que tenciona tomar o poder para si. O guerreiro é pai de Glordon (Remy Edgerly / Danylo Miazato), uma simpática criaturinha – e um dos personagens mais bacanas da Pixar nos últimos tempos -, cujas ambições passam longe de se tornar um combatente quando for adulto.
Com anos-luz de diferença entre raças, criações e realidades, Elio e Glordon descobrirão que têm um ponto em comum: a latente necessidade de encontrar seu próprio lugar no mundo, sem que isso os obrigue a ser alguém que não querem.
Embarcar na jornada dessa improvável dupla, enquanto tenta salvar o Comuniverso, é algo estonteante. O visual da obra roteirizada por Julia Cho, Mark Hammer e Mike Jones – e que tem Domee Shi, Adrian Molina e Madeline Sharafian à frente da direção – é de uma beleza digna de ser apreciada em salas com tecnologia IMAX. A surpresa fica para o fato de haver o oferecimento de sessões em 3D, recurso que faz da imersão no espaço sideral algo muito mais cativante.
Quem assistir ao longa sob a ótica de uma ficção científica encontrará preciosos detalhes que remetem a clássicos do gênero, entre eles, “E.T. – O Extraterrestre”, “Alien – O Oitavo Passageiro” e até mesmo à série televisiva “Alf – O ETeimoso”. Claramente, houve uma ótima pesquisa para encontrar referências que fossem ao mesmo tempo pertinentes aos que as perceberem, e interessantes àqueles que não as conhecem. E isso acrescenta uma generosa dose de qualidade ao roteiro – que sofreu várias modificações, desde o anúncio do filme em 2023.
Já os espectadores que penderem para o lado emocional – tão comum em títulos da Pixar – encontrará uma história simples e até semelhante a outras já vistas antes, mas que consegue tocar os corações por sua honestidade e delicadeza.
Ter a capacidade de tratar de assuntos como luto, solidão e tristeza, sem transformar a narrativa em algo pesado além da conta não é uma tarefa fácil. Mas, “Elio” faz isso com perfeição, ao atingir um ponto de equilíbrio entre a diversão e a emoção, e dar à plateia a bem-vinda sensação de que, é possível achar as respostas que, muitas vezes, passamos a vida toda buscando.
Prepare seu melhor sorriso (mas lembre-se de levar um lencinho também) e corra para os cinemas.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Walt Disney Studios Br.


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