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Crítica: “Eternidade”

“Quando a Eternidade está em jogo, uma vida de espera não parece nada.”

Uma das maiores questões de nossa existência é, justamente, aquele que nunca terá uma resposta definitiva: “O que nos espera quando a vida finda?”. A crença de que há mais do que sabemos pode ser reconfortante para alguns, enquanto parece assustadora para outros. Talvez essa falta de certeza seja o melhor caminho, afinal.

Sob a direção de David Freyne (também roteirista junto a Patrick Cunnane), “Eternidade” (Eternity) apresenta uma visão bastante otimista sobre o assunto, com a representação de uma espécie de Estação de Trem, na qual as almas de recém-falecidos desembarcam. Ali, terão que tomar a decisão mais importante de suas “pós-mortes”: onde vão permanecer para sempre.

Chamada de “Intersecção”, essa transição entre a vida e a morte precisa ser resolvida no período de sete dias, com a ciência de que não há como modificar o que for escolhido. Sim, a pressão sobre nosso emocional continua mesmo quando partimos e há consequências para quem não segue as regras.

É nesse espaço que Joan Cutler (Elizabeth Olsen) se vê em dúvida, quando tem à sua frente duas possibilidades opostas: seguir a nova – e definitiva – jornada ao lado do marido Larry (Miles Teller), com quem constituiu família a partir de um casamento que durou 65 anos; ou escrever um capítulo inédito na história encerrada precocemente, com seu primeiro marido, Luke (Callum Turner), morto da Guerra da Coreia, pouco após o matrimônio, e que esperou 67 anos por ela no Além.

À personagem é aberta uma exceção, para que possa experimentar as duas experiências, que, como previsto, mostram-se diferentes em todos os sentidos: com Larry, existe a segurança (comodismo?) de uma relação de décadas, quando já se conhece / aceita as diferenças e particularidades do companheiro.

Já com Luke, há a promessa de se viver o que lhes foi tirado de maneira abrupta, abraçar uma paixão nunca esquecida e descobrir como poderia ter sido bom trilhar a jornada ao lado daquele idealizado como alguém “perfeito”.

A comédia romântica tem inúmeros destaques positivos: o olhar divertido/inteligente sobre os infinitos mundos temáticos disponíveis, ofertados em um espaço que lembra a área de vendas de um evento; a percepção de que, ao cruzarmos tal fronteira, manteremos nossa forma mais feliz (esqueça velhice e limitações físicas).

Mas, provavelmente, o de maior relevância e que vai gerar mais conteúdo para debate e reflexão é a sugestão de que, embora haja a anteriormente citada pressão, nosso destino final não nos é imposto por algo/alguém: somos nós quem o decidimos.

Também cabe destacar a participação dos “Coordenadores de Pós-Morte”, Anna (Da’Vine Joy Randolph) e Ryan (John Early), figuras que divertem o público, enquanto auxiliam os personagens nesse momento de escolhas tão fundamentais.

Sem partir para acaloradas discussões filosóficas ou religiosas, “Eternidade” é um filme atraente a todos os públicos, independente de sua linha de pensamento ou crença. E, mesmo entregando um resultado que prima pela leveza, consegue fazer os espectadores questionarem sobre o que importa no tempo que temos. Afinal, como dito em certo ponto do longa, “Somos apenas um conjunto de lembranças”.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Elo Studios.

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