
“O novo ensina o velho, o velho ensina o novo! O sol iluminando a cultura desse povo!”
Com cenários e direção de arte criados a partir da obra “Nihonjin” de Oscar Nakasato (lançada em 2011 e vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário em 2012), chega aos cinemas a delicada animação “Eu e meu Avô Nihonjin”, que serve como uma bonita homenagem aos 130 anos de amizade Brasil-Japão, celebrados em 2025.
A trama passada no Brasil em dias atuais nos apresenta Noburu (voz de Pietro Takeda), um menino descendente de japoneses que precisa fazer um trabalho de escola para o qual deverá entrevistar seu avô Hideo (Fabio Matsuoka / Edson Kameda / Ken Kaneko), a fim de saber mais detalhes sobre a história de sua família.
Pouco aberto a diálogos, o idoso reluta em ajudar o neto, com quem mantém certa distância e exige que determinadas tradições sejam continuadas nas ações do garoto. Após a insistência de sua filha Sumie (Lina Tag) e da esposa Shizue (Li Martins /Kazue Akisue), ele, enfim, começa a responder as perguntas que vão gerar o conteúdo para a tarefa escolar.
O espectador é então transportado para o Porto de Kobe, no Japão, em 1920. Um jovem Hideo e sua primeira esposa Kimie (Luiza Porto) enfrentam dois longos meses de viagem no navio Kasato Maru, até desembarcarem em terras brasileiras, com o sonho de ter e dar uma vida melhor a seus futuros filhos, Hiroki (Leon Akira Fidehija / Vyni Takahashi) e Haruo (Arthur Miazato / Robson Kumode)
O trabalho nas fazendas de café é tão duro quanto mal remunerado, o que era uma ambição de progresso ganha ares de preocupação com a falta de oportunidades de crescimento. E a saudade de casa machuca e tem o poder de adoecer o corpo e a alma.
Através das declarações do avô, Noburu descobre particularidades de sua família que, se causaram dor no passado, talvez possam ser encaradas de maneira mais leve no presente. Aquele tipo de recomeço que serve para conectar novamente corações que se separaram por forças maiores.
Com a cultura japonesa no centro do roteiro de Rita Catunda, a animação ainda abre espaço para citações referentes a outros lugares, uma vez que os melhores amigos de Noboru também fazem a pesquisa com seus próprios familiares: Laura (Alice Barion) se encanta com as histórias de sua avó portuguesa, enquanto Beto (Pedro Galvão) se orgulha da coragem de seus antepassados ao se firmarem na Bahia.
Sob a direção de Célia Catunda, “Eu e meu Avô Nihonjin” é sensível nos momentos certos, tratando alguns pontos (como a Segunda Guerra Mundial) com a dureza e seriedade esperadas pela história, mas sem perder a doçura necessária para conquistar o público mais jovem.
O destaque fica para o recurso visual utilizado na representação de memórias que dá um ar de algo que já aconteceu, mas que continua relevante o suficiente para ser passado adiante às próximas gerações.
Vale conferir.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela H20 Films.


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